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04 de setembro de 2005

Fronteira

Não entremos nesse território, pediu-lhe. É o teu passado, é outra vida que tiveste, não apagues a memória, deixa que se mantenha algum brilho intocado por um presente que o suplantaria, mera contaminação da vida sobre a distância do que foi há muito - deixa-o estático, sem saudade, sem dor, sem lembrança até. A sombra não retira sentido ao mais ardente sol. Salva do naufrágio o que é possível. Deixa incólume um espaço que foi povoado noutro tempo. Não voltes ao lugar onde foste feliz.

Publicado por Ana Roque às 11:21

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Comentários

Vivo nele quase todos os dias, e é de facto, a espaços, quase insuportável...

Publicado por: Stephen King às 09:22 de 05-09-2005

O luto é um trabalho inevitável. O que pode ser evitada é a sua suspensão, a ignorância da sua óbvia necessidade.

Publicado por: Ana R. às 13:04 de 05-09-2005

Nem se volte ao lugar onde se foi infeliz, diria eu. Que fica impresso com mais força ainda nas nossas memórias. Beijos. :)

Publicado por: catarina às 16:30 de 06-09-2005

Catarina, mesmo certeiro, o teu comentário... fala quem sabe o que custa subir uma rua sabendo o que nos espera depois da marcha íngreme - e repetir esse trilho por muito mais tempo do que a razão recomenda e a emoção suporta. Mas já passou :))

Publicado por: Ana R. às 16:37 de 06-09-2005

Tudo. Obrigado pelo pensamento... contém mesmo (quase) tudo.

Publicado por: zudan às 15:32 de 23-09-2005

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