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O corpo não espera

O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sede, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...

Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.

Jorge de Sena

comentários (4)

António Lima:

Não conhecia. Tive que o ler e reler várias vezes.
Tive que o sentir.
Tive que...o imaginar, em voz, declamado por uma Natália Luísa, ou uma voz masculina, segura, e suave.

E visualizar esse instante.

São estes momentos que nos enriquecem, e aquecem, a vida.
Obrigado.

ana r.:

Obrigada pela visita e pelas palavras amáveis. é sempre um incentivo para continuar a procura e a partilha...

Isabel Lourenço:

Ainda bem que existem os sonhos e a poesia para mostrar o que sentimos. Obrigada.

ana r.:

Obrigada pela visita, cara Isabel. Espero que volte ao modus!

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 29 de janeiro de 2010.

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