O corpo não espera. Não. Por nós
ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sede, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...
Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.
Jorge de Sena


comentários (4)
Não conhecia. Tive que o ler e reler várias vezes.
Tive que o sentir.
Tive que...o imaginar, em voz, declamado por uma Natália Luísa, ou uma voz masculina, segura, e suave.
E visualizar esse instante.
São estes momentos que nos enriquecem, e aquecem, a vida.
Obrigado.
Por António Lima | janeiro 29, 2010 11:51 PM
em 29/01/2010 23:51
Obrigada pela visita e pelas palavras amáveis. é sempre um incentivo para continuar a procura e a partilha...
Por ana r. | janeiro 30, 2010 10:34 AM
em 30/01/2010 10:34
Ainda bem que existem os sonhos e a poesia para mostrar o que sentimos. Obrigada.
Por Isabel Lourenço | fevereiro 6, 2010 10:59 AM
em 06/02/2010 10:59
Obrigada pela visita, cara Isabel. Espero que volte ao modus!
Por ana r. | fevereiro 7, 2010 9:00 AM
em 07/02/2010 09:00