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Arquivo de julho 2011

julho 3, 2011

E que venha a noite...

(gentileza de Amélia Pais)

Presenteia-me o riso de teus olhos
a ténue luz de teu sorriso
o milagre de teu nome
em minha boca.
Presenteia-me a humidade de teus beijos
o tíbio manto de teu abraço
o mar embravecido de teu corpo
junto ao meu.
Presenteia-me o amanhecer de tuas paixões
o espelho frágil de tuas chuvas
tua inocência feita mulher
com minhas carícias.
Presenteia-me teu amor,
amor.
E que venha a noite...

Carlos Enrique Ungo

julho 5, 2011

Alfons Mucha

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1896, ainda Salammbô como inspiração

Mar gelado

Quanto terror latente
nesse mar gelado
que desde sempre
levamos na alma.

António Castañeda

Eu e Tu Dois!

Eu e Tu, num ser indispensável! Como
Brasa e carvão, centelha e lume, oceano e areia,
Aspiram a formar um todo, — em cada assomo
A nossa aspiração mais violenta se ateia...

Como a onda e o vento, a Lua e a noite, o orvalho
[e a selva
— O vento erguendo a vaga, o luar doirando a
[noite,
Ou o orvalho inundando as verduras da relva —
Cheio de ti, meu ser de eflúvios impregnou-te!

Como o lilás e a terra onde nasce e floresce,
O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo,
O vinho e a sede, o vinho onde tudo se esquece,
— Nós dois, de amor enchendo a noite do degredo,

Como partes dum todo, em amplexos supremos
Fundindo os corações no ardor que nos inflama,
Para sempre um ao outro, Eu e Tu, pertencemos,
Como se eu fosse o lume e tu fosses a chama...

António Feijó

A não esquecer

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Genève

julho 6, 2011

Na Margem das Horas

Preso ao Meu Destino

E preso ao meu destino eu principio
onde um pequeno sol por entre as árvores
perscruta o chão.
Ávido enfim de azul,
meu grito vive a ponte que o abismo
há muito conquistou.
O lume é ténue,
a chama é quase ausente e quase extinta.

António Salvado

julho 7, 2011

Poesia

é a visita do tempo nos teus olhos,
é o beijo do mundo nas palavras
por onde passa o rio do teu nome;
é a secreta distância em que tocas
o princípio leve dos meus versos;
é o amor debruçado no silêncio
que te cerca e que te esconde:
como num bosque, lento, ouvimos
o coração de uma fonte não sei onde...

Vítor Matos e Sá

Virgem de Chestokova

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em Lyon, inesperadamente (foto de Paulo Querido)

julho 8, 2011

A Velhice Pede Desculpas

Tão velho estou como árvore no inverno,
vulcão sufocado, pássaro sonolento.
Tão velho estou, de pálpebras baixas,
acostumado apenas ao som das músicas,
à forma das letras.

Fere-me a luz das lâmpadas, o grito frenético
dos provisórios dias do mundo:
Mas há um sol eterno, eterno e brando
e uma voz que não me canso, muito longe, de ouvir.

Desculpai-me esta face, que se fez resignada:
já não é a minha, mas a do tempo,
com seus muitos episódios.

Desculpai-me não ser bem eu:
mas um fantasma de tudo.
Recebereis em mim muitos mil anos, é certo,
com suas sombras, porém, suas intermináveis sombras.

Desculpai-me viver ainda:
que os destroços, mesmo os da maior glória,
são na verdade só destroços, destroços.

Cecília Meireles

Madame de Pompadour

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porque todas as vidas vividas foram, em si mesmas, uma vida única

julho 9, 2011

Perfume e chama

Inflama-me, poente: faz-me perfume e chama;
que o meu coração seja igual a ti, poente!
descobre em mim o eterno, o que arde, o que ama,
...e o vento do esquecimento arraste o que é doente!

Juan Ramón Jiménez

Alice Bailly

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de luva branca, sempre (1922)

julho 10, 2011

Os Objectos Principais

poderemos,um dia,amar estas vitrinas
como quem ama uma ideia imperdoável, ou uma
breve hesitação dos condutores
a meio do percurso? quero dizer,
estaremos vivos para o desbotar destas
folhas de plástico que brilham
uma vez cada noite; e para
o assobio das nuvens
ao passar sobre a roupa?
ou, fechando a gaveta, engoliremos o receio
destes bolos roubados
na prateleira de água?
ou será este o dilema que nos propõem
as minuciosas escavações telefónicas?
são questões ignorantes, delas depende o rumo
dos grandes navios japoneses à entrada da doca.

António Franco Alexandre

Myrtille Henrion Picco

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a máscara e o rosto, a sós

julho 11, 2011

Realizar

Realizo o sonho ao destino
ofertado. Retiro a irrealidade
e a contemplo em matéria
rio do segredo
descubro
avanço o tempo
à semeadura
e retorno em colheitas

a casa serve ao senhor
o estio ao crescimento da planta

depois do cultivo
sobre a terra
em inundações lavo a sombra
da irrealidade. Deposito
diante do homem
a sobra na satisfação
do todo.

Pedro Du Bois

Lucas van Leyden

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outro dia, novas estratégias

julho 12, 2011

Suportar a luz

O mar já não era para mim suficiente.
Fazia-me falta um rio
um rio sob sombra das árvores.

É difícil a meio da música
suportar a luz do café.

João Miguel Fernandes Jorge

Alice Bailly

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ar livre

julho 13, 2011

Silêncio

Este silencio,
blanco, ilimitado,
este silencio
del mar tranquilo, inmóvil,

que de pronto
rompen los leves caracoles
por un impulso de la brisa,

Se extiende acaso
de la tarde a la noche, se remansa
tal vez por la arenilla
de fuego,

la infinita
playa desierta,
de manera

que no acaba,
quizás,
este silencio,

nunca?

Eliseo Diego

Albert Herter

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perfil destacado

julho 14, 2011

Ser Tigre

O tigre ignora a liberdade do salto
é como se uma mola o compelisse a pular.

Entre o cio e a cópula
o tigre não ama.

Ele busca a fêmea
como quem procura comida.

Sem tempo na alma
é no presente que o tigre existe.

Nenhuma voz lhe fala da morte.
O tigre, já velho, dorme e passa.

Ele é esquivo,
não há mãos que o tomem.

Não soa, porque não respira.

É menos que embrião
abaixo do ovo, infra-sémen.

Não tem forma, é
quase nada, parece morto.

Porém existe,
por isso espera.

Epopeia, canção de amor,
epigrama, ode moderna, epitáfio,

Ele será
quando for tempo disso.

Arménio Vieira

Albert Herter

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outro perfil, bem discreto

julho 15, 2011

A Tzu Chi: Entre as Flores

A luz no lago, de súbito, esconde-se atrás do muro,
Invadem o quarto os cheiros misturados de flores.
Na borda do biombo, o pó que a borboleta espalhou,
Na janela lacada, a mancha amarela da abelha.
Deixa esses papéis oficiais para os escriturários,
Há um criado para cada funcionário público honesto.
Vamos de cavalgada ouvir os poemas um do outro.
Que há de tão urgente nesses assuntos em que perdes o coração?

Li Shang Yin, trad. José Alberto Oliveira

Do amor passado

(gentileza de Amélia Pais)

Eu amei-te; mesmo agora devo confessar,
Algumas brasas desse amor estão ainda a arder;
Mas não deixes que isso te faça sofrer,
Não quero que nada te possa inquietar.
O meu amor por ti era um amor desesperado,
Tímido, por vezes, e ciumento por fim.
Tão terna, tão sinceramente te amei,
Que peço a Deus que outro te ame assim.

Alexandre Pushkin

julho 16, 2011

Arthur Frederick Bridgeman

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preguiça absoluta

julho 17, 2011

Gostos

Gostava dessa espécie de beleza
que podemos surpreender a cada passo,
desvelada pelo acaso numa esquina
de arrabalde; a beleza de uma casa devoluta
que foi toda a infância de alguém,
com visitas ao domingo e tardes no quintal
depois da escola; a beleza crepuscular
de alguns rostos num retrato de família
a preto e branco, ou a de certos hotéis
que conheceram há muito os seus dias de fulgor
e foram perdendo as estrelas; a beleza condenada
que nos toma de repente, como um verso
ou o desejo, como um copo que se parte
e dispersa no soalho a frágil luz de um instante.
Gostava de tudo isso que o deixava muito a sós
consigo mesmo, essa espécie de beleza arruinada
onde a vida encontra o espelho mais fiel.

Rui Pires Cabral

julho 18, 2011

Paisagem

Desejei-te pinheiro à beira-mar
para fixar o teu perfil exacto.

Desejei-te encerrada num retrato
para poder-te contemplar.

Desejei que tu fosses sombra e folhas
no limite sereno dessa praia.

E desejei: «Que nada me distraia
dos horizontes que tu olhas!»

Mas frágil e humano grão de areia
não me detive à tua sombra esguia.

(Insatisfeito, um corpo rodopia
na solidão que te rodeia.)

David Mourão-Ferreira

Albert Herter

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o sono, esse difícil encantamento

julho 19, 2011

Saudade

Ter saudade
é vaga disforme de um corpo.
Ter saudade
é pássaro que aparece e se apaga
erguido de confusão
na angústia, teste dado à natureza
bruxuleante dentro de mim.
Ter saudade
é fingir qualquer coisa que inquieta,
levantada, desenterrada do crivo da memória.
Por vezes quando o tempo por ela passa
não passa o tempo da saudade,
estátua rígida dum destino anoitecido,
passa um nada meio acontecido.
Saudade,
é filha da alma do mundo
que de tanto ser outro
sou eu já.
Saudade,
porque viajas cansada
em horas dentro de mim?
Saudade
que vieste até à última força desta linha,
brumosa da eterna caminhada.
Sempre que vieres
sem avisares
leva-me contigo
para que a paz volte
à memória de meu corpo
como o rio que passa
no tempo final da minha natureza.

Carlos Melo Santos

julho 20, 2011

Albert Herter

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elegância em dobro

Espera

(gentileza de Amélia Pais)

Espera por mim, que eu voltarei,
Mas tens de esperar muito
Espera quando a chuva amarela
Tristeza trouxer,
Espera quando a neve vier,
Espera quando fizer calor,
Espera quando os outros não esperarem,
Esquecidos do passado.
Espera, quando dos países distantes
Cartas não chegarem,
Espera, quando até se cansarem
Aqueles que juntos esperam.

Espera por mim, que eu voltarei,
Não perdoes àqueles
Que encontram palavras para dizer
Que é tempo de esquecer.
E se crêem, filho e mãe,
Que já não vivo,
Se os meus amigos, cansados de esperar,
Se sentam à lareira
E bebem vinho amargo
Para me recordarem…
Espera. E com eles
Não te apresses a beber.

Espera por mim, que eu voltarei
A despeito da morte.
Quem não me esperou,
Que diga: ‘Teve sorte!’
Não compreendem os que não esperavam
Como no meio do fogo
A tua espera
Me salvou.
Como sobrevivi, saberemos
Só tu e eu, -
É porque me soubeste esperar
Como ninguém mais.

Konstantin Simonov, trad. Manuel de Seabra

julho 21, 2011

Augustus Leopold Egg

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saudades de um belo passeio à beira do mar

Homens que São como Lugares Mal Situados

Conserto a palavra com todos os sentidos em silêncio
Restauro-a
Dou-lhe um som para que ela fale por dentro
Ilumino-a

Ela é um candeeiro sobre a minha mesa
Reunida numa forma comparada à lâmpada
A um zumbido calado momentaneamente em exame

Ela não se come como as palavras inteiras
Mas devora-se a si mesma e restauro-a
A partir do vómito
Volto devagar a colocá-la na fome

Perco-a e recupero-a como o tempo da tristeza
Como um homem nadando para trás
E sou uma energia para ela

E ilumino-a

Daniel Faria

julho 22, 2011

Acerca de um perfil

Sente-se na minha frente.
Isso, um bocadinho de lado,
é melhor assim.
O perfil da boca fala melhor que os olhos.

Os olhos são muito sabidos,
olham e sabem-se olhados,
conhecem a arte de fingir.

A fissura dos lábios é de nervo rijo,
ri ou chora quando precisa,
não quando deve.

Olhos nos olhos é uma treta;
conhecem a conveniência do momento;
assaltam-se ou afastam-se
não se vê se por gosto se a contra gosto.

É preciso saber muito para entender os olhos nos olhos.
Sou ignorante. Também tenho medo.

Assim, já está bem.
Estou a ver.

Vou guardar a imagem na pele.

Agora
sento-me eu,
também de lado.

Pode olhar.
Veja como é firme
a fissura dos lábios.

Zeferino Silva

julho 23, 2011

Amanhã é outro dia

Sentar à máquina de escrever. Folhear
um romance policial. No fim
ficar sabendo o que você já sabe:
o secretário de cara limpa, com barba rija,
é o assassino do senador
e o amor do jovem sargento da comissão de inquérito
pela filha do almirante é correspondido.
Mas você não vai pular nenhuma página.
De vez em quando, ao folhear, uma olhada rápida
para a folha em branco na máquina de escrever.
Seremos poupados disso, então. Bem, isso já é alguma coisa.
Saiu no jornal: num vilarejo qualquer,
as bombas não deixaram pedra sobre pedra.
Lamentável, mas o que você tem com isso.
O sargento está para impedir o segundo assassinato
embora a filha do almirante esteja (pela primeira vez!)
oferecendo a ele os lábios, serviço é serviço.
Você fica sem saber quantos mortos, o jornal sumiu.
Ao lado, sua mulher sonha com o primeiro amor.
Ontem ela tentou se enforcar. Amanhã
vai cortar os pulsos ou sabe-se-lá-o-quê.
Pelo menos ela tem um objetivo em vista.
Que ela ainda há de atingir, de um jeito ou de outro,
e o coração é um vasto cemitério.
A história da Fátima no Neues Deutschland
era tão mal escrita que fez você rir.
A tortura é mais fácil de aprender que a descrição da tortura.
O assassino caiu na armadilha
O sargento encerra o prémio nos braços.
Agora você pode dormir. Amanhã é outro dia.

Heiner Müller, trad. Rodrigo Garcia Lopes

julho 24, 2011

Ava Gardner

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beleza intemporal

julho 25, 2011

Por um Fio

Não venhas devagar
com tanta pressa. Deixa
que derrame a fome
nos quintais e a maldição

suspeite do suave
aroma do delírio. Envia
o que te sobra
ou rouba

o mais pequeno passo
por um fio.

José Carlos Soares

julho 27, 2011

Trivialidades

Ao atravessar a fronteira
entre
beleza e banalidade
sobressai um homem
cansado de inventar poemas.

Não tem nada a declarar
com a excepção de alguma

trivialidade inútil.

Daniel Hevier

Augustus Leopold Egg

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viagem tranquila, um gosto ímpar

julho 28, 2011

Alice

É do lado de cá do espelho
que corremos perigo.
Do lado de lá
tudo tem solução:
Alice espera por nós,
Alice dá-nos a mão.

Yvette Centeno

Frederic Leighton

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julho 29, 2011

Oferenda Oriental

Secas, bailam folhas sobre a relva e
o lençol tranquilo da geada
é uma canção do outono.

Integral, a noite:
no vento
no frio
no luar pacificado.

Aires Montenegro

Charles Edward Perugini

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beleza tranquila

julho 30, 2011

Tocata e Fuga

É tudo aquilo que só existe no ar,
0 que de nós, além de nós, se expande.
É a vertigem para o alto, igual à grande
Tocata e fuga em ré menor de Bach.

É o delírio de um bêbedo num bar
É um não sair do chão por mais que se ande

Tudo que em mim, somente em mim existe,
Me transporta, me absorve, me suspende,

Me faz sorrir embora eu esteja triste,
Triste naquele universal sentido
Que a música interpreta e se compreende
Sem que em palavras seja traduzido.

Dante Milano

julho 31, 2011

Aprendizagem

Aprendi a viver com simplicidade, com juízo,
a olhar o céu, a fazer minhas orações,
a passear sozinha até à noite,
até ter esgotado esta angústia inútil.
Enquanto no penhasco murmuram as bardanas
e declina o alaranjado cacho da sorveira,
componho versos bem alegres
sobre a vida caduca, caduca e belíssima.

Volto para casa. Vem lamber a minha mão
o gato peludo, que ronrona docemente,
e um fogo resplandecente brilha
no topo da serraria, à beira do lago.

Só de vez em quando o silêncio é interrompido
pelo grito da cegonha pousando no telhado.
Se vieres bater à minha porta,
é bem possível que eu sequer te ouça.

Ana Akhmatova, trad. Lauro Machado Coelho

Charles Edward Perugini

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momentos aprazíveis

Ter

Tê-la ao meu lado
ter-me prisioneiro
tê-la como consolo
ter-me desconsolado
tê-la entre tantas
ter-me sozinho
tê-la no anoitecer
ter-me na escuridão
tê-la no que inicia
ter-me sem origem
tê-la como estrela
ter-me sob as nuvens
tê-la no esplendor do vento
ter-me como calmaria
tê-la na amplidão do horizonte
ter-me em linha traçada.

Pedro Du Bois

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