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Arquivo de agosto 2011

agosto 1, 2011

Não te Fies do Tempo

(gentileza de Amélia Pais)

Não te fies do tempo nem da eternidade
que as nuvens me puxam pelos vestidos,
que os ventos me arrastam contra o meu desejo.
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te vejo!

Não demores tão longe, em lugar tão secreto,
nácar de silêncio que o mar comprime,
ó lábio, limite do instante absoluto!
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te escuto!

Aparece-me agora, que ainda reconheço
a anêmona aberta na tua face
e em redor dos muros o vento inimigo...
Apressa-te, amor, que amanhã eu morro,
que amanhã morro e não te digo...

Cecília Meireles

François Boucher

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belo dia para estar na chaise longue

Entusiasmos do coração

Vós olhais as flores no meio das folhas:
Quanto tempo de bom podem elas ter?

Hoje temem que alguém as colha
Amanhã aguardam que alguém as varra

Cativantes os entusiasmos do coração
Após vários anos envelhecem

Comparado com o mundo das flores
O fulgor do vermelho como o conservar?

Han-Shan (versão de Ana Hatherly)

Cecilia Beaux

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jovem retratada em 1893, na companhia de um gato discreto

agosto 2, 2011

Un amor así

Voy a hablarte de un amor desprotegido,
de un amor que se abre y abre y abre
y no piensa si actuar así es una actitud prudente y razonable.

De un amor que solo sabe ser y no calcula si a cambio
debe obtener amor de alguien.

Este es un amor totalmente irresponsable
que no corresponde a las reglas legales de intercambio.
No pide y solo es alegre si a todos y en todo se extiende.

Definitivamente, este amor es un amor totalmente inconveniente
en esta sociedad tan inteligente y razonable.
Un amor así es un sentimiento que no da utilidades a nadie
por eso es un derroche material imperdonable.

Guzmán Lavenant

Erika Yamashiro

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recorte contemporâneo

agosto 3, 2011

Biografia

La vida que murmura. La vida abierta.
La vida sonriente y siempre inquieta.
La vida que huye volviendo la cabeza,
tentadora o quizá, sólo niña traviesa.
La vida sin más. La vida ciega
que quiere ser vivida sin mayores consecuencias,
sin hacer aspavientos, sin históricas histerias,
sin dolores trascendentes ni alegrías triunfales,
ligera, sólo ligera, sencillamente bella
o lo que así solemos llamar en la tierra.

Gabriel Celaya

Cecilia Beaux

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sonhadora ou melancólica?

agosto 7, 2011

Esmalte

No esmalte azul-pálido,
Que é possível em Abril,
Erguiam ramos as bétulas
E um tudo-nada anoiteciam.

Na aguda, breve ramada,
Na teia imóvel - filigrana,
Como em pranto de porcelana,
Rede com precisão traçada -

No vidrado do firmamento
O gentil pintor a urdisse,
Na cônscia força do momento,
No olvido da morte triste.

Ossip Mandelstam, trad. Nina Guerra e Filipe Guerra

Silêncios

Tanto conversamos
em silêncio

seus olhos perguntam
respondo olhares

mágoas
tristezas
iras
raivas

surdas maneiras
de nos fazer entender
não estarmos juntos.

Pedro Du Bois

agosto 11, 2011

São Jorge

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em Ljubljana

agosto 12, 2011

O Sentido Simples das Coisas

Depois das folhas terem caído, regressamos
A um sentido simples das coisas. É como se
Tivéssemos chegado ao fim da imaginação,
Inanimados num inerte savoir.

É difícil até escolher o adjectivo
Para este frio vazio, esta tristeza sem causa.
A grandiosa estrutura tornou-se numa casa menor.
Nenhum turbante caminha através dos soalhos degradados.

A estufa nunca precisou tanto de tinta.
A chaminé tem cinquenta anos e está inclinada para um lado.
Falhou um esforço fantástico, uma repetição
Numa repetitividade de homens e moscas.

Contudo a ausência da imaginação tinha
Ela própria de ser imaginada. O lago grandioso,
O seu sentido simples, sem reflexos, folhas,
Lama, água como vidro sujo, expressando silêncio

De certo tipo, silêncio de um rato saindo para ver,
O lago grandioso e a sua imensidade de nenúfares, tudo isto
Tinha de ser imaginado como um conhecimento inevitável,
Exigido, como uma necessidade exige.

Wallace Stevens, trad. Luísa Maria Lucas Queiroz de Campos

Rijeka

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uma cidade barroca (foto de Paulo Querido)

agosto 13, 2011

Lírio

Lua de neve quebrada
em seis pedaços de seda.
Luz de Lua que se queda
em meio às folhas cravada.
Lua em seis raios cortada.
Luz em pétalas de alvura.
Sobre a rama verde-escura
cetim branco e perfumado.
Nácar de Lua rasgado
em seis raios de luz pura.

Rafaela Chacón Nardi, trad. Aurélio Buarque de Holanda

Elizabeth Sonrel

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alegoria do Outono, que não tarda aí...

Força e convicção

Tem sempre presente que a pele se enruga,
o cabelo embranquece, os dias se convertem em anos...
Mas o que é mais importante não muda;
A tua força e convicção não têm idade.

O teu espírito é como qualquer teia de aranha.
Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.
Atrás de cada conquista, vem um novo desafio.

Enquanto estiveres viva, sente-te viva.
Se sentes saudades do que fazias, volta a fazê-lo.
Não vivas de fotografias amarelecidas...
Continua, quando todos esperam que desistas.

Não deixes que enferruje o ferro que existe em ti.
Faz com que em vez de pena, te tenham respeito.
Quando não conseguires correr através dos anos,
Trota.
Quando não conseguires trotar, caminha.
Quando não conseguires caminhar, usa uma bengala.
Mas nunca te detenhas.

Madre Teresa de Calcutá

Elizabeth Sonrel

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...e do inverno, que também virá.

agosto 14, 2011

Este Mundo Só

do que mais me lembro - o silêncio
acima de tudo um enorme silêncio
como nenhum outro que eu tivesse sentido
e escutávamo-lo como se escuta
um bebé no berço e se teme
que já não esteja vivo ou não respire
e que não se ouve por multo tempo

um silêncio tão vasto e tão profundo que oiço
no meu próprio corpo o sibilar das veias
o meu coração mal posso acreditar
os músculos mexem-se e ouve-se
o sussurrar que as camisas e os fatos
fazem quando nos vestimos
de manhã oiço-os restolhar
quando passam uns pelos outros
como nós passamos pelo nosso silêncio

ouvi dizer que os colonos das pradarias do Canadá
encontravam um silêncio enorme vacilavam
ali no ar como aves num deserto
& um vazio inacreditável
passava por nós aos tombos

e as estrelas meu deus as estrelas muitas mais
do que eu teria alguma vez imaginado
não sei o que é mas este céu
é tão negro de um negro tão escuro mas
cheia de sol a terra é

uma luzinha brilhante de cortar
a respiração azul & branca o seu
hálito doce de nuvens
querida terra querida menina
tão sozinha a casa que deixámos
a terra tão redonda nunca imaginei
quão redonda quão pequena
até ter visto a terra

Dennis Cooley

agosto 15, 2011

Amanhecer

Amanheço em nuvens de inverno.
No esfriar da hora sou corpo
despertado. Sigo o leito do rio
ao largo: estrito ao peito
da mulher amada no anunciar
horas anteriores de refúgio. Acordo
e levanto em ensolarados passos.

Da manhã retiro a necessidade
da utilidade. Sou repositório
da inatividade.

Pedro Du Bois

Nossa Senhora da Assunção

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no seu dia

agosto 16, 2011

Mona Lisa

Em qualquer
dos tantos
quatro cantos do mundo
seu olhar me segue
e nos persegue
e acusa e condena
e zomba
de quem não sabe de quê
nem de porquê

Aquele olhar
é o centro de qual centro?

Helena Parente Cunha

agosto 18, 2011

O tempo e os livros

(gentileza de Amélia Pais)

As palavras (o tempo e os livros que
foram precisos para aqui chegar,
ao sítio do primeiro poema!)
são apenas seres deste mundo,
insubstanciais seres, incapazes também eles de compreender,
falando desamparadamente diante do mundo.
As palavras não chegam,
a palavra azul não chega,
a palavra dor não chega.
Como falaremos com tantas palavras? Com que palavras e sem que palavras?
E, no entanto, é à sua volta
que se articula, balbuciante,
o enigma do mundo.
Não temos mais nada e com tão pouco
havemos de amar e de ser amados,
e de nos conformar à vida e à morte,
e ao desespero, e à alegria,
havemos de comer e de vestir,
e de saber e de não saber,
e até o silêncio, se é possível o silêncio,
havemos de, penosamente, com as nossas palavras construí-lo.
Teremos, então, enfim, uma casa onde morar
e uma cama onde dormir
e um sono onde coincidiremos
com a nossa vida,
um sono coerente e silencioso,
uma palavra só, sem voz, inarticulável,
anterior e exterior,
como um limite tendendo para destino nenhum
e para palavra nenhuma.

Manuel António Pina

agosto 19, 2011

Pierre Mignard

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Madame de Longueville, uma beleza na corte de Luís XIV

agosto 20, 2011

Entre Nenúfares

Escrevi uma introdução para o que teria dito
mas rasurei-a. - Quero no entanto
que antes de a noite me envolver
a última coisa que de mim se aviste
seja um punho fechado entre nenúfares
e a última coisa que se oiça de mim
seja uma palavra de bolhas de ar
a vir do fundo.

Gunnar Ekelof, trad. Vasco Graça Moura

Athénaïs de Rochechouart

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Françoise Athénaïs de Rochechouart de Mortemart, a bela marquesa de Montespan, nascida a 5 de Outubro de 1641 e falecida a 27 de Maio de 1707, conhecida como Madame de Montespan, "preciosa" da corte de Luís XIV, de quem teve sete filhos

agosto 21, 2011

A palavra

te lavo e lavro
palavra / pão
polida pedra
de construção

do quanto faço
deste edifício
em que elaboro
fé e ofício,

te esculpo e bruno
verbo/canção
no diário labor
de artesão.

te louvo lume
e pedra d'ara
com que ergo o templo
da flor mais cara

e clara: poesia
com que reparto
os sóis do meu dia
o suor do meu dia
o fel do meu dia

as mazelas do homem
as amargas vidas
o pão subtraído
as pagas devidas

a paz relativa
a justiça rara
a fome de todos
a morte na cara
da criança. o aço
que o corpo nos cava,

a fé o cansaço
desta luta brava
a fartura a poucos
de muitos tomada

o chão proibido
a água negada

o amor que rareia e
a festa sonhada

palavra larva
semente pura
que em mim explodes
de sons madura,

te lavo e lavro
verbo / canção

te louvo lume
poema / pão

manhã sonhada
meu sim/meu não.

Manuel Lopes

Algarve

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em Agosto, numa praia de Vale de Lobo

agosto 22, 2011

Pedido

Olha para mim sei que cresci
mas não deixa de procurar a menina
aquela que se esconde no meu olho
aquela que guardo
inteira
dentro de mim
Esquece o efêmero.
O que (re)cobre tudo é massa de moldar
trans/formada pelo tempo.

Eliana Mora

Sempre...

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Formosa, a Ria

agosto 23, 2011

A lição de estética

«Mas que beleza há na poesia?»
Escuta, quando vês um grande amigo
rodeado de mulheres, quando estás
fascinado com a orquestra, e sob o reflector
resplandecem as cores de uma deusa
que desce seminua à plateia,
onde tu estremeces, escondido
em toda aquela multidão!, quando em noite
escura e serena amigos dançam sem mulheres
numa praça ao som de um
acordeão e tu ficas à parte; pois bem, isso
não é belo para ti? Também é belo
para um velho que se chama
crítico e acha beleza em muitas coisas
e que até se aventurou a descobrir no mundo
e talvez fora do mundo, coisas cada vez
mais belas, mas que diz, com amor: «que belo
é este poema!» E tu,
tu olhas-me sem sequer me dares um beijo?

Sandro Penna

agosto 24, 2011

Geografia

Eu nasci aqui,
no entanto não reconheço este lugar.
Falamos a mesma língua,
no entanto não entendo o meu povo.
Esta é a minha terra,
ela mata-me aos poucos,
no entanto regresso sempre ao seu estranho domínio
como um homem doente à sua dor.

Felipe Juaristi

agosto 25, 2011

Encontrei pessoas

Encontrei pessoas que,
quando se lhes perguntava o nome,
tímidas — como se não pudessem exigir
o direito a ter também um nome —
respondiam «Fraulein Christian» e depois
«como o nome próprio», queriam simplificar
a apreensão das coisas,
nenhum nome mais difícil do que «Popiol» ou «Barbadaterra» —
«como o nome próprio» — por favor, não sobrecarregue as forças da Memória!

Encontrei pessoas que
cresceram num quarto com pais e quatro irmãos,
e à noite, os dedos nos ouvidos,
aprenderam no fogão da cozinha
cresceram, lindas por fora e ladylike como condessas —
e por dentro suaves e aplicadas como Nausica,
e tinham a fronte pura dos anjos.

Muitas vezes me perguntei, sem nunca achar resposta,
de onde vêm a doçura e a bondade,
e hoje inda o não sei e tenho de ir-me embora agora.


Gottfried Benn, trad. Vasco Graça Moura

agosto 26, 2011

Pierre Mignard

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auto retrato de Pierre Mignard (1612 – 1695), conhecido como "Le Romain"

Da república da consciência

I
Ao aterrar na república da consciência
o silêncio era tal quando os motores pararam
que ouvi um maçarico, bem alto sobre a pista.
No balcão da imigração, o funcionário
era um velho que puxou de uma carteira
do seu saco artesanal, e me mostrou
uma fotografia do meu avô.
A mulher na alfândega quis que eu declarasse
as palavras ancestrais das nossas curas
e feitiços contra a mudez e o mau-olhado.
Nem um carregador, intérprete ou táxi.
Cada um transportava o seu fardo, e os sintomas
de insinuante privilégio em breve desapareciam.


II
Por lá, o nevoeiro é um augúrio temido,
mas o relâmpago promete o bem
universal, e os pais penduram bebés
nas árvores durante as trovoadas.
O sal é um mineral precioso.
E as conchas levam-se ao ouvido quando nasce
ou morre alguém. A base de toda e qualquer
tinta e pigmento é a água do mar.
O seu símbolo sagrado é um barco
estilizado. A vela é uma orelha, o mastro
uma caneta inclinada, o casco a forma
de uma boca, a quilha um olho aberto.
Ao tomarem posse, os dirigentes públicos
juram respeitar as leis não escritas, e choram
para expiar a presunção de ter um cargo –
e para afirmar a sua confiança
em que toda a vida nasceu das lágrimas
choradas pelo deus dos céus após sonhar
que a sua solidão não tinha fim.


III
Regressei dessa frugal república
de mãos a abanar, pois a mulher da alfândega
insistiu que a única mercadoria
que eu podia trazer era eu próprio.
O velho ergueu-se e olhou-me o rosto fixamente
e disse ser assim o reconhecimento
oficial da minha nacionalidade
dupla. Desejou pois ao regressar a casa
eu me considerasse representante
daquele país, e em seu nome falasse
na minha própria língua. As suas embaixadas
encontravam-se, disse, por todo o lado,
mas actuavam de forma independente,
e nenhum embaixador jamais seria
dispensado das suas funções.

Seamus Heaney, trad. Vasco Graça Moura

agosto 27, 2011

Oferenda

Eu falo da profundidade da noite,
da escuridão abissal.

Se vieres a minha casa, amor,
traz-me luz.
E uma janela para que eu possa ver
a felicidade daquela rua repleta.

Forugh Farrojzad

Pierre Mignard

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Louise Renée de Penancoët de Kérouaille, Duquesa de Portsmouth (1649 – 1734), amante do rei Charles II de Inglaterra e antepassada de ambas as mulheres do actual príncipe de Gales, Diana Spencer e Camilla Parker-Bowles.

agosto 28, 2011

Ainda

Amei. É incompreensível como o tremor das árvores.
Agora estou extraviado na luz porém sei que amei.
Eu vivia num ser e seu sangue deslizava pelas minhas veias e
a música me envolvia e eu mesmo era música.
Agora,
quem está cego nos meus olhos?
Umas mãos passavam sobre meu rosto e envelheciam docemente.
Que foi existir entre cordas e espíritos?

Quem fui nos braços da minha mãe, quem fui no meu próprio coração?
É estranho:
somente aprendi a desconhecer e esquecer.
É estranho:
agora, o amor
habita no esquecimento.

Antonio Gamoneda, trad. António Cícero

Ernst Ludwig Kirchner

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a cor em explosão, no início do século passado

agosto 29, 2011

Liberdade

A liberdade é o meu clarim de guerra
e eu sou, no meu viver amplo e sem véus,
como os caminhos soltos pela terra,
como os pássaros livres pelos céus.

Ela é o sol dos caminhos ! Ela é o ar
que os enche os pulmões, é o movimento,
traz num corpo irrequieto como o mar
uma alma errante e boêmia como o vento.

Minha crença, meu Deus, minha bandeira,
razão mesma de ser do meu destino,
há de ser a palavra derradeira
que há de aflorar-me aos lábios como um hino.

Liberdade: Alavanca de montanhas!
Aureolada de louros ou de espinhos
há de cingir-me a fronte nas campanhas,
há de ferir-me os pés pelos caminhos.

Sinto-a viva em meu sangue palpitando
seja utopia ou seja ideal, - que importa?
Quero viver por esse ideal lutando,
quero morrer se essa utopia é morta!

J. G. de Araújo Jorge

Sir Peter Lely

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Louise Renée de Penancoët de Kérouaille, aqui retratada em 1671

agosto 30, 2011

Responder

A resposta
ao impulso
gera
nova pergunta
e a ação descabida
do movimento: olho o nada
onde me vejo
estático

habito o mínimo
necessário à vida:

a morte me desconhece.

Pedro Du Bois

agosto 31, 2011

Carolus-Duran

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a contrariar o tempo, imagem de Hēbē (Ἥβη), deusa da juventude (aka Juventas), filha de Zeus e de Hera

There is a light somewhere

your life is your life
don’t let it be clubbed into dank submission.
be on the watch.
there are ways out.
there is a light somewhere.
it may not be much light but
it beats the darkness.
be on the watch.
the gods will offer you chances.
know them.
take them.
you can’t beat death but
you can beat death in life, sometimes.
and the more often you learn to do it,
the more light there will be.
your life is your life.
know it while you have it.
you are marvelous
the gods wait to delight
in you.

Charles Bukowski

Books

How you loved to read in the snow and when your
face turned to water from the internal heat
combined with the heavy crystals or maybe it was
reversus you went half-blind and your eyelashes
turned to ice the time you walked through swirls
with dirty tears not far from the rat-filled river
or really a mile away—or two—in what
you came to call the Aristotle room
in a small hole outside the Carnegie library.

Gerald Stern

Pierre Mignard

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Françoise Marguerite de Sévigné, condessa de Grignan, outra beldade seiscentista

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