Poesia mínima
Pintou estrelas no muro
e teve o céu
ao alcance das mãos.
Helena Kolody
« maio 2012 | entrada | julho 2012 »
Pintou estrelas no muro
e teve o céu
ao alcance das mãos.
Helena Kolody

da confiança na sabedoria
Deus dá a todos uma estrela.
Uns fazem da estrela um sol.
Outros nem conseguem vê-la.
Helena Kolody

domingo de primavera
Por vezes não temos tempo
Por vezes não chegamos a tempo
Por vezes é tarde por vezes é cedo
Por vezes não devíamos ter ido
Por vezes perdemo-nos a avaliar o sucedido
Por vezes morremos na praia
Por vezes sem lá ter ido
Por vezes somos pouco recomendável companhia
Por vezes pouco simpática ausência e não só de nós próprios
Por vezes fazemos as vezes fazemos de conta
Por vezes vamos às sortes e ficamos partindo
Por vezes partidos por vezes mais inteiros
Por vezes a lágrima acontece por vezes não
Por vezes limpando o dia por vezes deslavando o chão
Por vezes um riso é manso por vezes estúpido
Por vezes um sorriso é menos inteligente que tudo isso
Por vezes vale mais que aqueles segundos todos antes
Por vezes reflete o mundo e não é mau
Por vezes agradecemos o que não sabemos
Por vezes procuramos saber o que esquecemos
Por vezes vale mais um berro que um beijo
Por vezes vale mais um beijo que muito dinheiro
Por vezes esquecemos a estátua
Por vezes aquecemos a luz
Por vezes valemos menos que a sombra que nos sai do ombro
Por vezes descansamos na orla de uma almofada
Por vezes dançamos no patamar do silêncio
Por vezes somos nós por vezes os outros
Por vezes simpáticos burros
Por vezes intragáveis sabedores
Por vezes levantamo-nos deitados
Por vezes sozinhos por vezes sem sonho
Por vezes com sono e às vezes cansados
Por vezes lutamos e há vezes que não
Por vezes somos delicados
Por vezes somos o que somos em público e
Por vezes isso até não é mau
Por vezes chega ser bom
Por vezes somos carne por vezes canhão
Por vezes somos mais que às vezes
Por vezes somos mais que apenas por vezes
Por vezes é mesmo por vezes vai ser sempre
Por vezes Menezes por vezes Correias
Por vezes audazes por vezes rapazes
Por vezes cobardes por vezes canalha
Por vezes sem significado que o valha
Por vezes sem ninguém que acuda
Por vezes sem batalha e sem fuga
Por vezes sem talho e sem foice aparecemos
Por vezes mais ou menos
Por vezes como se nada connosco fosse e por vezes não sendo
Por vezes às vezes por vezes às vozes
Por vezes são vezes martelando as teclas
Por vezes concerto por vezes piano
Por vezes meditando a folha em branco
Por vezes respeitando o branco da folha
Por vezes não calamos por vezes que chatos somos por não nos calarmos
Por vezes calamos e ainda é mais desagradável
Por vezes não ouvem por vezes ninguém tem culpa
Por vezes tudo na palma da mão
Por vezes não
Por vezes um quarto de criança por vezes o asilo de um velho
Por vezes no meio dias valiosos
Por vezes trigo por vezes centeio
Por vezes alcatra por vezes menos que o rabo de um boi
Por vezes anjos ateus por vezes divinos humanos
Por vezes acreditamos no que não vemos
Por vezes provamos o que não temos e o que não somos
Por vezes aceitamos por vezes dizemos sim
Por vezes ficamos contentes
Por vezes é tudo e o seu contrário
Por vezes não é possível
Por vezes quem dera que fosse
Por vezes sabemos o que dizemos e porque dizemos
Por vezes não há ordem nas frases
Por vezes não deve haver ordem nas frases
Por vezes mais vale cabermos
Por vezes oxalá que não
Por vezes é preciso saber andar
Por vezes é preciso ser preciso
Por vezes era melhor ser conciso
Por vezes não
Rui A.
Prefiro as sobras do banquete
o vinho quente na garrafa
o azedo da salada
o restante da carne
junto ao osso
o guardanapo
usado com esforço
guardo a rolha
em confirmação: aguardo
o retorno
inserido
na minha vontade.
Pedro Du Bois

uma pose senhoril
Estudos de género, História da arte
Estética, Antropologia
História universal, Psicologia
Filosofia – em longa prateleira
Guia completa de la publicidad
The big book of greetings cards
Pharaohs, L’age d’or de la France coloniale
O único e a sua propriedade
Educação – pedagogia, Teatro traduzido
British pharmacopeia
Um piano para cavalos altos
Ecological hotels
Memorial do coração
E em fundo Lluis Llach
Devia ser possível um homem encontrar-se
Há lá profissão mais nobre que essa
de pastor de aves
Rui A.
a beleza constante da ria Formosa
Quando sonho,
sou outra.
Inauguro-me.
Helena Kolody
Pelo vão da porta
insiro a memória
cobro pela entrega
o gesto
desprendido do envelope
sob a porta
envelopo a série
e na espera tenho
a sequência mnemônica
dos atrasos
a companhia alarma a casa
e sobre o assoalho
repousa a prova na memória
avivada dos extremos.
Pedro Du Bois
A minha mãe ensinou-me a bordar:
o dedal no dedo médio,
usar o fio em pequenas meadas,
ensinou-me a fazer o ponto de bainha dupla
e a dispor a loiça de porcelana:
primeiro as bandejas,
depois os pratos e os copos.
A minha avó ensinou-me a engomar:
o lenço de criança dobrava-se
num triângulo, como o de solteira,
só o de cavalheiro se dobrava
em forma de rectângulo.
- Então és filha de boas famílias.
- Não, sou a filha das criadas.
Cristina Morano, versão de Luís Parrado

uma rainha pré-rafaelita
Nos dias de luta
Nos dias de lata
Nos dias de luto
Nos dias de prata
Nos dias de tinta a escorrer as águas
Nos dias de sangue que se faz lava
Nos dias que lavam suor e escada
Nos dias de cifra
nos mais transparentes
Nos dias nos passos
Nos dias mais quietos
Nos dias que partem
aqueles que ficam
Nos dias de vasos
Nos dias de fitas
Nos dias de Outubro a Setembro
Nos dias nenhuns
Nos dias nas ervas
Nos dias ruins
Nos dias que erguem voltagens
em mil
Nos dias sem margem
Nos dias que acham
Nos dias que são
Nos dias esquecidos
Nos dias refeitos
Nos dias de prémio
Nos dias refugos
Nos dias caminho
Nos dias centrados
Nos dias que não
Nos dias de hábito
e nos dias nus
Nos dias de saldo
Nos dias inteiros
Nos dias mais rotos
Nos dias vestidos
de poucos amigos
Nos dias sem rosto
Nos dias sem espinhas
Nos dias de haver
e nos de chegar
Nos dias sem mote
Nos dias de jogo
Nos dias de vasos
de vasos no mar
Nos dias já feitos
e nos por fazer
Em todos os dias, ou estes ou outros
que não sei contar
há traços comuns pedaços iguais
por exemplo um comprimido a acordar
e outro ao deitar
E isso levanta toda uma série de questões
Nomeadamente à volta da medicina e dos seus resultados
Mas poderá não ser dia para essas pachorras
Espero que um pardal me venha à mão
e não por falta de saúde
e por isso me calo, para que aconteça
E é claro que não sei
Rui A.

aquele cabelo não me é estranho...
Recordem-se, jovens vivos (não falo
aos mortos) que é jovem também
o tempo para vós. Aqui olham-vos
como velhos, os que têm a vossa consciência
e também a vossa idade. Um dia,
que para estes vossos irmãos é hoje,
sabereis também vós que o pior inimigo
que vos fere e vos mata é melhor
do que os que mandam neste cinzento
dia do futuro. Os Fascistas não tocam
a alma. Eu sei que no meu país
por vinte anos o tentaram: mas rapazes
e homens ficaram iguais aos de todos os séculos.
Matai-os, metei-os na prisão como
fazem eles. São poucos. Secam
e tornam a crescer como a grama.
O povo era o trigo que não morre.
Agora começa a morrer. Alguém
lhe tocou a sua alma. Rapazes e homens
vivem, selvagens, como num sonho.
São como loucos, não conhecem piedade,
giram, o rosto branco como renegados
por um pouco de riqueza e liberdade
que talvez quisessem mas que não ganharam.
Deram-lha, não de boa mente,
os velhos Antifascistas que são os autênticos Fascistas...
que são os líderes, da Aculturação e não só
tocam as almas mas também as sugam no Centro
como vampiros, deixando os corpos cobertos de sombra
e tísica branca, megeras com grandes cabeleiras de merda
com mais nenhum outro amor do que o do Motor,
porque não? que fazer do Sexo em liberdade?
Amadurece nos campos, entre as pedras, o trigo
com o silêncio e o canto das cigarras:
é ali que nascem os filhos obedientes, os soldados
e os heróis como os de entre vós que estão mortos.
Pasolini, trad. Manuel Simões
A pedra
brutamente cortada
brutamente transportada
brutamente transformada
brutamente assentada
brutamente cinzelada
brutamente esculpida
brutalmente polida
na pedra bruta
remanesce.
Pedro Du Bois

retrato de Lady Betty
Nas traseiras da minha graça há uma
figueira __Ainda os figos não são figos
e já os pássaros
os pássaros entram nas verdes polpas com os seus
bicos
espetam as almas no doce amargo dos frutos
e depois queixam-se __A toutinegra não se cala __ o melro
passa por cima __a pardalada prefere o arbusto do telhado
e as migalhas da vizinha velha que sabe o que fazer para
manter os diálogos
Porque há presença do Tejo no hálito dos pássaros
os figos hão-de ser melhores que os concorrentes orientais
os talvez de Alexandria __ou de qualquer oriente
Boa graça __bons figos
Abel Neves
Dizem que escrever é arte de ourives
Algo como fazer magia com os dedos
Não sei nunca ninguém mo disse
Nunca ninguém mo explicou
Daí talvez lamentavelmente não estar convencido
Mas penso e nisso pareço estar no meu passo
Escrever não é para um homem feliz
Rui A.

melancolia romântica, passe o pleonasmo
Entre livros em profundo desarrumo,
em não contáveis serões diurnos,
nos dias inverticais, sem prumo ou compasso
(dias de tempo lasso),
penso em são Petersburgo, ali a um passo
Dizem que existe, lugar assim,
onde os dias cosem, por dentro,
como um beijo, e sem embaraço.
Sem aleijar.
Já a minha avó me chamava russo
És o meu russo, dizia,
como quem faz uma festa (e fazia),
com os seus lindos olhos claros, de fio e costura.
És o meu russo, mais ninguém o é - assim dizia,
com os olhos que foram também de minha mãe
- que de mim tudo sabia,
p’ra lá do que acontecia
E é bem verdade, a haver verdade;
Quem busca coincidências sempre as encontra
ainda que seja cedo ou tarde.
E dizem, como facto assente,
(com o possível rigor das coisas que podem ser ditas)
que esse lugar existe
- e lá está o perto.
São Petersburgo,
onde riem os russos
Rui A.

S. Petersburgo e arredores, nos idos setecentistas
Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Mário Quintana

aproveitando a primavera, quase de partida
Em 2012, o Solstício de Verão ocorre no dia 21 de junho às 0h09m. Este instante marca o início do Verão no hemisfério norte, estação mais quente do ano e que vai prolongar-se por 93,65 dias - até ao próximo Equinócio, em setembro. Verão, precisa-se, com carácter de urgência.
Destraçar o caminho
replantado na grama
sob os passos
desconsiderar o avanço
e retornar em plácido
andar de retomada
esquecer o desenho
mapeado em escuros
tesouros inatingíveis
ser diletante: pai e mãe
a recolocar no alpendre
espantalhos ao espantado
o filho.
Pedro Du Bois

manton de Manila
não é verdade talvez me esqueça velhíssimo do cansaço
debaixo do pé um sinal revés no cimo a boca
só a boca a alcançar a porta morta nas luzes tristes destes
lábios
Abreu Paxe

a cumprir um ritual
Apetece
Vestir o vestido de vermelho esquecido
Onde tecidos, momentos e fogos-fátuos
Dão pinceladas de música
Àquele corpo de sabor agridoce
E à vida verde esperança.
É o vermelho?
O fogo, a terra, a água e a brisa
Atentos, como quem espera do Alto,
Mais que simples cores, cheiros e sabores,
Esculpem aquele corpo
Vestido com vestido de vermelho esquecido.
Nem sempre é o azul
Que espelha o céu.
V.G.
Como se diz em ouolof a palavra fronteira, a palavra
pátria? E em soniké, como designareis o desamparo?
Se quiserdes dizer em berbere, por exemplo, "eu tive uma casa
num arrabalde de Rabat", poreis a frase nesta ordem? Como
se conjugam em bambara os verbos que conduzem ao norte,
que adjectivos se devem acrescentar à palavra mar, à palavra morte?
Se tiverdes de partir, a palavra adeus será um substantivo?
Como se pronuncia em diakhanké a palavra exílio? Há que
juntar os lábios? Doem? Que pronomes usais para aquele que espera
na praia, para o que regressa sem nada? Quando apontais para além,
no sentido de casa, que advérbio escolheis? Como se diz na vossa, na nossa língua
a palavra futuro?
Berta Piñan, versão de Luís Parrado
Ouço o teu murmúrio, em ária fechada,
Onde o meu corpo, se pudesse, matava a sede
Há na imensidão dessa tua música-estrada
O canto glorioso de quem navega sem rede.
Inspiração de ninfas encantadas
Marcas momentos de pasmo e pavor
És porta e chão para essas vidas marcadas
De almejo por um deus, diz quem sabe, menor.
Marinheiros, soldados e conquistadores
Soltam gritos vivos e almas sós nas marés
Em lágrimas e saudades d’ilícitos amores
Apenas por viveres neles e seres quem és.
Trágica, bela, ingénua e infernal
És marca d’água para poetas e amantes,
Sinal-sombra desse elemento de sal
E nascem de ti sabores vivos e bailantes.
Faria da tua pele meu triste destino
Com sonhos ancorados em firme terra
Andaria nesse teu mar, nesse caminho
Que segredos, mistérios e odes encerra.
És tu.
V.G.
(agradeço ao remetente, sem o mencionar, como prefere)
Na minha bicicleta de recados
eu vou pelos caminhos.
Pedalo nas palavras atravesso as cidades
bato às portas das casas e vêm homens espantados
ouvir o meu recado ouvir minha canção.
Na minha bicicleta de recados
eu vou pelos caminhos.
Vem gente para a rua a ver a novidade
como se fosse a chegada
do João que foi à Índia
e era o moço mais galante
que havia nas redondezas.
Eu não sou o João que foi à Índia
mas trago todos os soldados que partiram
e as cartas que não escreveram
e as saudades que tiveram
na minha bicicleta de recados
atravessando a madrugada dos poemas.
Desde o Minho ao Algarve
eu vou pelos caminhos.
E vêm homens perguntar se houve milagre
perguntam pela chuva que já tarda
perguntam pelos filhos que foram à guerra
perguntam pelo sol perguntam pela vida
e vêm homens espantados às janelas
ouvir o meu recado ouvir minha canção.
Porque eu trago notícias de todos os filhos
eu trago a chuva e o sol e a promessa dos trigos
e um cesto carregado de vindima
eu trago a vida
na minha bicicleta de recados
atravessando a madrugada dos poemas.
Manuel Alegre
Nas viagens que faço
Naquelas onde o caminho nem sequer parece sinuoso
Mascaro-me com aquilo que os outros não vêem
E tento apanhar a última sílaba de mim
Procuro-me nas ruas e vielas deste lugar
E daquele outro lá mais à frente
Estranho os passos estranhos que dou
Procuro, assim, eternecer a minha noite
Mas nem sempre gosto deste sargaço vizinho
Preferia sonhar com a lua, como em criança
E ficar lá, para outras aventuras.
V.G.

enigma
(gentileza de Violante)
Conheço as coisas pelos olhos.
Seus olhos redondos e leves,
que levam as mãos de orvalho
até ao fundo do coração.
Coração de lágrimas, coração de rosas.
E sinto-as. Sinto-as quando sobem
pela pele como se fossem navios
a unir todo o mar. O mar que move
o mundo e o sustenta
com suas traves de água imensa.
O mar das coisas felizes.
Carlos Lopes Pires

São Pedro, pescador no lago de Genesaré, na Galileia, a fechar o cortejo amável de santos populares
Nas viagens que fiz
Vi pessoas, com ares e olhares provocantes
Sentei-me em lugares e espaços vazios de ti
Olhei saltimbancos, mesteirais e tantos outros…
E procurei, em desespero, a palavra que sou eu.
Vivi momentos onde o castigo da ausência
Me agarrou àquele chão, àquela terra
E onde, na verdade, qualquer orgulho feito de lama
Foi a minha estrada, o meu caminho
e cada gesto ateu dos outros foi o meu altar
Onde te procurava, em vão,
e prosseguia, fazendo de meu cúmplice, o chão.
Nas viagens que faço
Naquelas onde o caminho nem sequer parece sinuoso
Mascaro-me com aquilo que os outros não vêem
E tento apanhar a última sílaba de mim.
Procuro-me nas ruas e vielas deste lugar
E daquele outro lá mais à frente
Estranho os passos estranhos que dou
E procuro, assim, eternecer a minha noite
Mas nem sempre gosto deste sargaço vizinho…
Preferia sonhar com a lua, como em criança
E ficar lá, para outras aventuras.
Nas viagens que ainda farei
Não procurarei equações bizarras, teoremas complicados
Nem farei teses de doutoramento sobre as palavras
Procurarei, isso sim,
Sorrisos em caleidoscópio,
Almas magenta,
E gestos de prata …
Serão estes Poderes que me elevarão às Alturas
e farão de mim, ave.
V.G.

Rosa de Granada, assim lhe chamou o pintor
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