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07 de outubro de 2006

Livro da semana: Traições, de Philip Roth

A acompanhar o filme da semana, que na primeira edição, por coincidência, se tratou da escolha de uma estreia, o modus escolhe ao sábado o livro da semana. E hoje não se trata de uma novidade acabada de saltar para os escaparates de topo da FNAC, mas sim de um livro que foi editado pela Bertrand nos idos de 1991: Traições (Deception), de Philip Roth, é um diálogo espantoso sobre a incerteza das relações amorosas.

Título: Traições
Autor: Philip Roth
Edição: Bertrand, 1991
Tradução: Filomena Andrade e Sousa

09 de outubro de 2006

O Seguro, o Evasivo e o Ansioso: Já não Sofro por Amor, de Lucia Etxebarría

Parece a história dos Três Porquinhos, mas não é (ou será? ao fim e ao cabo, o assunto versa as formas de construção da vida...); esta tipologia comportamental faz parte da aspirina para "ajudar a resolver as dores do coração" - que Lucía Etxebarría inventou, com humor e algumas frases certeiras. Já não sofro por amor, editado pela casa das letras e traduzido por Artur Lopes Cardoso consegue ser curioso e divertido, sem deixar de ser crítico e cheio de ironia.

14 de outubro de 2006

Livro da semana: Samarcanda, de Amin Maalouf

Outro sábado, novo livro da semana. Desta vez, trata-se de uma obra cujo original foi editado em 1988, mas que só chegou à versão portuguesa em Maio de 2006: trata-se de uma biografia romanceada do poeta Omar Khayyam, autor dos célebres Robaiyat, enquadrada por uma descrição viva da Pérsia nos séculos XI e XII, ao tempo da dominação dos Seljúcidas. Amin Maalouf narra e faz reviver uma época e uma civilização que, sendo tão distantes, prendem a atenção curiosa do leitor ocidental do século XXI, intrigado com os mistérios de uma cultura que aparece hoje em confronto com a sua.

Título: Samarcanda
Autor: Amin Maalouf
Edição: DIFEL, 2006
Tradução: G. Cascais Franco

21 de outubro de 2006

Livro da semana: Aquilo Que Eu Amava, de Siri Hustvedt

O livro desta semana tem por título Aquilo Que Eu Amava e Siri Hustvedt publicou o original em 2003; chegou à versão portuguesa em Outubro de 2005, editado por Edições ASA. É um romance pleno de interesse, com uma densificação de personagens consistente e uma descrição pormenorizada e colorida de um período da vida de quatro artistas nova iorquinos, no Soho de há 30 anos.

Título: Aquilo Que Eu Amava
Autor: Siri Hustvedt
Edição: ASA, 2005
Tradução: José Vieira de Lima

04 de novembro de 2006

Livro da semana: D. Quixote de la Mancha, de Cervantes

Este livro, mais do que a escolha da semana, é a menção a um livro de fundo na cultura europeia: «D. Quijote de la Mancha» pode ser lido e relido sem cansaço, tal é a riqueza de detalhes e a profundidade do olhar que o autor, Miguel de Cervantes, nos legou. Publicada a primeira parte em 1605 e a segunda dez anos mais tarde, é hoje uma referência da literatura universal. Foi recentemente editada a versão portuguesa dos viscondes de Castilho e de Azevedo (Mediasat Group SA, 2004). A Real Academia Española, em parceria com a Associación de Academias de la Lengua Española, patrocinou (em 2004) uma edição comemorativa do IV centenário da obra, com notas de Francisco Rico e artigos de Mario Vargas Llosa, Francisco Ayala, Martín de Riquer, José Manuel Blecua, Guillermo Rojo, José António Pascual, Margit Frenk e Claudio Guillén.

Título: D. Quixote de la Mancha
Autor: Miguel de Cervantes
Edição: Mediasat Group SA, 2004
Tradução: Viscondes de Castilho e de Azevedo

11 de novembro de 2006

Livro da semana: A Bíblia Hebraica, de Steiner

A escolha da semana, desta vez, não é um romance, mas sim uma das obras de um dos mais interessantes pensadores contemporâneos: George Steiner. Senhor de vasta erudição, tem a vantagem de discorrer de forma fascinante sobre os fundamentos da cultura ocidental: «A Bíblia Hebraica e a Divisão entre Judeus e Cristãos» garante uma leitura curiosa e enriquecedora, com profundidade mas sem hermetismo expositivo. Publicada no original em 1996, foi editada na versão portuguesa pela Relógio D'Água (2006), com tradução de Margarida Periquito e Victor Antunes.

Título: A Bíblia Hebraica e a Divisão entre Judeus e Cristãos
Autor: George Steiner
Edição: Relógio D'Agua, 2006
Tradução: Margarida Periquito e Victor Antunes

18 de novembro de 2006

Livro da semana: O Fulgor da Luz, de Anne Philipe

Consequência durável da visita à Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva, este pequeno livro que hoje se aconselha como escolha da semana. Sob o pretexto de um diálogo entre a autora, Anne Philipe, e o casal de pintores, oferece uma visão luminosa do seu pensamento, animado por uma cultura respirada, natural, tão sólida quanto vivida. A tradução de Luiza Neto Jorge contribui para o excelente resultado final.

Título: O Fulgor da Luz - Conversas com Maria Helena Vieira da Silva e Arpad Szenes
Autor: Anne Philipe
Edição: Rolim, 1995
Tradução: Luiza Neto Jorge

24 de novembro de 2006

Livro da semana: O Poder das Ideias, de Isaiah Berlin

O livro recomendado, desta vez, é um conjunto de ensaios de Isaiah Berlin, organizado por Henry Hardy. Originalmente editado em 2000 (The Power of Ideas), três anos depois da morte do filósofo, foi traduzido por Miguel Serras Pereira para a Relógio D'Água e publicado em Maio passado. Com perto de vinte textos, a obra inclui temas de referência, como os que se referem a Marx e ao marxismo, aos filósofos da Luzes ou ao conceito de liberdade. Uma excelente companhia para dias de chuva.

Título: O Poder das Ideias
Autor: Isaiah Berlin
Edição: Relógio D' Água
Tradução: Miguel Serras Pereira

02 de dezembro de 2006

Livro da semana: A Curva do Rio, de V. S. Naipaul

O livro recomendado é um belíssimo romance de V. S. Naipaul, prémio Nobel da Literatura em 2001. O original A Bend in the River (1979) foi traduzido por José Vieira de Lima para a Dom Quixote e publicado em 1990. A densidade dos personagens e a descrição de uma África muito particular tornam a narrativa sedutora e capaz de prender o leitor horas a fio.

Título: A Curva do Rio
Autor: V. S. Naipaul
Edição: Dom Quixote
Tradução: José Vieira Lima

09 de dezembro de 2006

Livro da semana: Antologia, de Manuel Bandeira

O livro desta semana é uma antologia de poemas de Manuel Bandeira, editada pela Relógio D'Água. Figura maior da literatura lusófona (1886-1968), nasceu no Recife e em 1940 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Muitos dos seus poemas são bem conhecidos, como este, que fica para aguçar a voracidade dos leitores:

Beijo pouco, falo menos ainda.
Mas invento palavras
Que traduzem a ternura mais funda
E mais cotidiana.
Inventei, por exemplo, o verbo teadorar.
Intransitivo:
Teadoro, Teodora.

Título: Antologia
Autor: Manuel Bandeira
Edição: Relógio D'Água

16 de dezembro de 2006

Livro da semana: O velho que lia romances de amor, de Luís Sepúlveda

O livro hoje recomendado pelo modus é uma bela história… para ouvir. Este áudio-livro ( MHIJ Editores) foi apresentado ao público no dia 28 de Novembro, na Casa Fernando Pessoa, pela voz de Vítor Nobre, que fez a leitura de partes da outra obra editada em simultâneo, “As Rosas de Atacama”. A apresentação foi feita por Francisco José Viegas.

07 de outubro de 2007

Contos de Dorothy Parker

Dorothy Parker é uma das autoras com lugar cativo no Modus. Não é, pois, de estranhar que a edição dos seus contos (Relógio d'Água, 2007), a partir da edição organizada pela autora em 1944, me tenha atraído a atenção gulosa e cintilante com quem se olham, folheiam e sopesam os livros escritos pelos que escolhem as palavras como desejaríamos fazer.
Estes contos merecem bem a leitura. Como em qualquer colectânea, há os que nos parecem mais conseguidos e os que deixam um ligeiro sabor a pouco, sem contudo abalar a avaliação positiva do conjunto.
Parker teve uma vida interessante e, por consequência inafastável, bastante agitada e por vezes até tempestuosa. A sua inteligência e perspicácia, a crueza do seu olhar sobre os outros e a feroz autocrítica com que se punia transparecem em quase todos os seus poemas e em alguns destes contos. Destaco Um Telefonema por ser, ainda hoje, um excelente exercício sobre a condição feminina nas relações amorosas (?), e uma ilustração fiel (reconhecível, infelizmente) da luta interior entre o que se sabe dever fazer e a tentação de se lançar exactamente no sentido oposto. Por isso, Liliana, aqui vai esta sugestão de leitura. Ler Dorothy Parker é certamente um desafio e um prazer.

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