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   <title>Modus vivendi</title>
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   <updated>2021-03-31T14:22:56Z</updated>
   <subtitle>&quot;Werde der du bist.&quot;Goethe</subtitle>
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   <title>Sem que soubesses</title>
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   <published>2021-03-31T14:22:33Z</published>
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   <summary>Falei de ti com as palavras mais limpas,viajei, sem que soubesses, no teu interior. Fiz-me degrau para pisares, mesa para comeres,tropeçavas em mim e eu era uma sombra ali posta para não reparares em mim. Andei pelas praças anunciando o...</summary>
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      <![CDATA[<p>Falei de ti com as palavras mais limpas,<br />viajei, sem que soubesses, no teu interior. <br />Fiz-me degrau para pisares, mesa para comeres,<br />tropeçavas em mim e eu era uma sombra <br />ali posta para não reparares em mim. <br />Andei pelas praças anunciando o teu nome,<br />chamei-te barco, flor, incêncio, madrugada. <br />Em tudo o mais usei da parcimónia<br />a que me forçava aquele ardor exclusivo. <br />Hoje os versos são para entenderes. <br />Reparto contigo um óleo inesgotável<br />que trouxe escondido aceso na minha lâmpada <br />brilhando, sem que soubesses, por tudo o que fazias. <br /><br />Fernando Assis Pacheco</p>]]>
      
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   <title>Hasui Kawase</title>
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   <published>2021-03-31T06:12:34Z</published>
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      <![CDATA[<p><a href="http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/Hasui%20Kawase8-2012" onclick="window.open('http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/Hasui%20Kawase8-2012','popup','width=680,height=1014,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/Hasui%20Kawase8-thumb-autox745-2012.jpg" alt="Hasui Kawase8.jpg" class="mt-image-none" width="500" height="745" /></a></p>]]>
      
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   <title>O Livro da Vida</title>
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   <published>2021-03-31T06:11:10Z</published>
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   <summary>No Outono, juntei todas as minhas tristezas e enterrei-as no jardim.Quando abril voltou e a primavera veio para casar com a terra, no meu jardim cresceram lindas flores diferentes de quaisquer outras.Os meus vizinhos vieram contemplá-las e todos me disseram:&quot;Quando...</summary>
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      <![CDATA[<p>No Outono, juntei todas as minhas tristezas e enterrei-as no jardim.<br />Quando abril voltou e a primavera veio para casar com a terra, no meu jardim cresceram lindas flores diferentes de quaisquer outras.<br />Os meus vizinhos vieram contemplá-las e todos me disseram:<br />"Quando o outono vier outra vez, na altura de semear, não nos darás umas sementes dessas flores, para que possamos tê-las nos nossos jardins?"</p>
<p>Kahlil Gibran, trad. Alcinda Marinho<br /><br /></p>]]>
      
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   <title>Estátua de rapariga que se prepara para dançar</title>
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   <published>2021-03-30T15:54:57Z</published>
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   <summary>Há uns vinte e três séculos que esta raparigaconcentra toda a vida que o mármore consenteno acto de dançar e de vencer assima condição mortal que intimamente a atingeo peso que lhe pesa nesses pés com os quais pisaa terra...</summary>
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      <![CDATA[<p>Há uns vinte e três séculos que esta rapariga<br />concentra toda a vida que o mármore consente<br />no acto de dançar e de vencer assim<br />a condição mortal que intimamente a atinge<br />o peso que lhe pesa nesses pés com os quais pisa<br />a terra positiva e ciumenta como mãe<br />inimiga do voo de quem no acto de voar pode encontrar<br />maneira de evitar aquela gravidade que o sobrecarrega<br />Prepara a dança rapariga grega<br />tu nunca dançarás mas dançarás melhor<br />que se houvesses dançado alguma vez<br />No gesto com que apertas o sapato<br />nesse dobrar da perna até no risco do cabelo<br />no próprio olhar que pões em ver passar os dias<br />tu danças toda a dança que se tem dançado<br />em teatros jardins boîtes em adros de aldeias<br />ao longo destes séculos separando na aparência<br />dois seres que na verdade aqui hoje convivem<br />um breve instante neste corredor nesta passagem<br />com uma intensidade inacessível a contemporâneos<br />Prepara-te mulher para dançar<br />e por nunca dançar hás-de dançar em toda a parte<br />todas as danças que se têm sucedido<br />sobre esta terra grave e oscilante entre o dia e a noite<br />firme no solo inconstante no mar<br />através deste tempo que separa e une<br />e tanto mais nos une quanto mais separa<br />Não sei o que pensavas tu dançar<br />mas eu vi-te dançar ballet e música yé-yé<br />vi-te dançar giselle e vi-te até dançar<br />um único momento ao som de música moderna<br />há pouco tempo ainda na estalagem de saler<br />És toda a gente que na dança afinal tem procurado<br />deter o tempo eternizar o instante<br />Prepara a dança e põe em prepará-la<br />todo o cuidado de que és capaz<br />Só por ti não passaram vinte e tantos séculos<br />só tu não suportaste o dia-a-dia<br />não sofreste com guerras não tiveste fome<br />nem morreste sequer como cada pessoa<br />que teve nesta terra a vida e que pagou por tê-la<br />Prepara-te mulher e permanece e petrifica<br />assim serás feliz por nem teres começado<br />uma coisa que como uma das nossas muitas coisas<br />já mesmo ao começar havia terminado<br /><br />Ruy Belo</p>]]>
      
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   <title>Giovanni Boldini</title>
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   <published>2021-03-30T15:46:00Z</published>
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      <![CDATA[<p><a href="http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/GIOVANNI%20BOLDINI-2009" onclick="window.open('http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/GIOVANNI%20BOLDINI-2009','popup','width=400,height=535,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/GIOVANNI%20BOLDINI-thumb-500x668-2009.jpg" alt="GIOVANNI BOLDINI.jpg" class="mt-image-none" width="500" height="668" /></a></p>]]>
      
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   <title>Escrita</title>
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   <published>2021-03-30T07:38:42Z</published>
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   <summary>Escrevo sobre coisas mortaspor mais vivas que estejamardente que seja a sorte, o amorpor desmedidoo pedaço de céusobre a asa de um rostoJoão Miguel Fernandes Jorge...</summary>
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      <![CDATA[<p>Escrevo sobre coisas mortas<br />por mais vivas que estejam<br />ardente que seja a sorte, o amor<br />por desmedido<br />o pedaço de céu<br />sobre a asa de um rosto<br /><br />João Miguel Fernandes Jorge</p>]]>
      
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   <title>Giovanni Boldini</title>
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   <published>2021-03-29T14:26:24Z</published>
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      <![CDATA[<p><a href="http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/lectio-magistralis-boldini-2006" onclick="window.open('http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/lectio-magistralis-boldini-2006','popup','width=630,height=309,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/lectio-magistralis-boldini-thumb-500xauto-2006.jpg" alt="lectio-magistralis-boldini.jpg" class="mt-image-none" width="500" height="245" /></a></p>]]>
      
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   <title>Distância</title>
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   <published>2021-03-29T14:24:35Z</published>
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   <summary>Levanto-me e olho o céunuma tarde de primavera sob o vôo das galinholas.Estranho! A estrela maioré uma coisa minúscula, pequeninaque a folha do vidoeiro pode cobrir.Distância, é a distânciaque torna o que é eterno suportávelAinda bem que lança tão grande...</summary>
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      <![CDATA[<p>Levanto-me e olho o céu<br />numa tarde de primavera sob o vôo das galinholas.<br />Estranho! A estrela maior<br />é uma coisa minúscula, pequenina<br />que a folha do vidoeiro pode cobrir.<br /><br />Distância, é a distância<br />que torna o que é eterno suportável<br />Ainda bem que lança tão grande sombra,<br />a pequena coisa que está próxima...<br /><br />Hans Børli</p>]]>
      
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   <title>Sobre construções</title>
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   <published>2021-03-29T07:05:09Z</published>
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   <summary>Construo minha casa com a argamassados dias cinzentos e coloridos. Iniciopelo detalhe de viver e ter a certezada necessidade da construção.Cerco o terreno em flores e crio frutos proibidos: minha alimentaçãoenquanto a obra avança ao teto.Obro portas e janelas oxigenadasao...</summary>
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      <![CDATA[<p>Construo minha casa com a argamassa<br />dos dias cinzentos e coloridos. Inicio<br />pelo detalhe de viver e ter a certeza<br />da necessidade da construção.<br /><br />Cerco o terreno em flores e crio <br />frutos proibidos: minha alimentação<br />enquanto a obra avança ao teto.<br /><br />Obro portas e janelas oxigenadas<br />ao interior dos ranços trazidos.<br /><br />Refaço os móveis na quantidade<br />dos dias em que morarei na casa<br />acerto na macieza do assento a saliência<br />do colchão e na tepidez da pedra o correr<br />da água na escuridão do quarto.<br /><br />Completo a mudança<br />e me retiro: toda casa prende<br />os corpos em martírio.<br /><br />Pedro Du Bois</p>]]>
      
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   <title>Hasui Kawase</title>
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   <published>2021-03-29T06:59:37Z</published>
   <updated>2021-03-29T07:00:23Z</updated>
   
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      <![CDATA[<p><a href="http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/Hasui%20Kawase0-2003" onclick="window.open('http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/Hasui%20Kawase0-2003','popup','width=680,height=454,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/Hasui%20Kawase0-thumb-500xauto-2003.jpg" alt="Hasui Kawase0.jpg" class="mt-image-none" width="500" height="333" /></a></p>]]>
      
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   <title>D. Quixote ou da liberdade</title>
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   <published>2021-03-29T06:54:26Z</published>
   <updated>2021-03-29T06:55:21Z</updated>
   
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      <![CDATA[<p>A liberdade, Sancho, é um dos mais preciosos dons que os homens receberam dos céus; com ela não podem ser igualados os tesouros que trancam a terra nem que o mar encobre: pela liberdade, bem como pela honra, pode-se e deve-se aventurar a vida; e, pelo contrário, o cativeiro é o maior mal que pode vir aos homens.</p>
<p>Miguel de Cervantes Saavedra</p>]]>
      
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   <title>Temor das palavras </title>
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   <published>2021-03-28T16:59:54Z</published>
   <updated>2021-03-28T17:00:20Z</updated>
   
   <summary>Temor das palavras -eis algo que aprendi.Versos que escreviversos que queimei.Da dúvida no meu coraçãosussurros cruéis começam:&quot;Fraco, escrevescom uma arte emprestada.A folha é adorávelquando é branca.Poupa o espaço para a palavraque não podes escrever&quot;.Hans Børli...</summary>
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      <![CDATA[<p>Temor das palavras -<br />eis algo que aprendi.<br />Versos que escrevi<br />versos que queimei.<br /><br />Da dúvida no meu coração<br />sussurros cruéis começam:<br />"Fraco, escreves<br />com uma arte emprestada.<br /><br />A folha é adorável<br />quando é branca.<br />Poupa o espaço para a palavra<br />que não podes escrever".<br /><br />Hans Børli</p>]]>
      
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   <title>Marc Chagall</title>
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   <published>2021-03-28T11:37:38Z</published>
   <updated>2021-03-28T11:38:28Z</updated>
   
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      <![CDATA[<p><a href="http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/Marc%20Chagall-1996" onclick="window.open('http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/Marc%20Chagall-1996','popup','width=480,height=640,scrollbars=no,resizable=no,toolbar=no,directories=no,location=no,menubar=no,status=no,left=0,top=0'); return false"><img src="http://amata.anaroque.com/arquivo/assets_c/2021/03/Marc%20Chagall-thumb-500x666-1996.jpg" alt="Marc Chagall.jpg" class="mt-image-none" width="500" height="666" /></a></p>]]>
      
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   <title>O actor </title>
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   <published>2021-03-28T11:36:50Z</published>
   <updated>2021-03-28T11:37:15Z</updated>
   
   <summary>O actor acende a boca. Depois os cabelos.Finge as suas caras nas poças interiores.O actor pôe e tira a cabeçade búfalo.De veado.De rinoceronte.Põe flores nos cornos.Ninguém ama tão desalmadamentecomo o actor.O actor acende os pés e as mãos.Fala devagar.Parece que...</summary>
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      <name>Ana Roque</name>
      
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      <![CDATA[<p>O actor acende a boca. Depois os cabelos.<br />Finge as suas caras nas poças interiores.<br />O actor pôe e tira a cabeça<br />de búfalo.<br />De veado.<br />De rinoceronte.<br />Põe flores nos cornos.<br />Ninguém ama tão desalmadamente<br />como o actor.<br />O actor acende os pés e as mãos.<br />Fala devagar.<br />Parece que se difunde aos bocados.<br />Bocado estrela.<br />Bocado janela para fora.<br />Outro bocado gruta para dentro.<br />O actor toma as coisas para deitar fogo<br />ao pequeno talento humano.<br />O actor estala como sal queimado.<br />O que rutila, o que arde destacadamente<br />na noite, é o actor, com<br />uma voz pura monotonamente batida<br />pela solidão universal.<br />O espantoso actor que tira e coloca<br />e retira<br />o adjectivo da coisa, a subtileza<br />da forma,<br />e precipita a verdade.<br />De um lado extrai a maçã com sua<br />divagação de maçã.<br />Fabrica peixes mergulhados na própria<br />labareda de peixes.<br />Porque o actor está como a maçã.<br />O actor é um peixe.<br />Sorri assim o actor contra a face de Deus.<br />Ornamenta Deus com simplicidades silvestres.<br />O actor que subtrai Deus de Deus, e<br />dá velocidade aos lugares aéreos.<br />Porque o actor é uma astronave que atravessa<br />a distância de Deus.<br />Embrulha. Desvela.<br />O actor diz uma palavra inaudível.<br />Reduz a humidade e o calor da terra<br />à confusão dessa palavra.<br />Recita o livro. Amplifica o livro.<br />O actor acende o livro.<br />Levita pelos campos como a dura água do dia.<br />O actor é tremendo.<br />Ninguém ama tão rebarbativamente como o actor.<br />Como a unidade do actor.<br />O actor é um advérbio que ramificou<br />de um substantivo.<br />E o substantivo retorna e gira,<br />e o actor é um adjectivo.<br />É um nome que provém ultimamente<br />do Nome.<br />Nome que se murmura em si, e agita,<br />e enlouquece.<br />O actor é o grande Nome cheio de holofotes.<br />O nome que cega.<br />Que sangra.<br />Que é o sangue.<br />Assim o actor levanta o corpo,<br />enche o corpo com melodia.<br />Corpo que treme de melodia.<br />Ninguém ama tão corporalmente como o actor.<br />Como o corpo do actor.<br />Porque o talento é transformação.<br />O actor transforma a própria acção<br />da transformação.<br />Solidifica-se. Gaseifica-se. Complica-se.<br />O actor cresce no seu acto.<br />Faz crescer o acto.<br />O actor actifica-se.<br />É enorme o actor com sua ossada de base,<br />com suas tantas janelas,<br />as ruas -<br />o actor com a emotiva publicidade.<br />Ninguém ama tão publicamente como o actor.<br />Como o secreto actor.<br />Em estado de graça. Em compacto<br />estado de pureza.<br />O actor ama em acção de estrela.<br />Acção de mímica.<br />O actor é um tenebroso recolhimento<br />de onde brota a pantomina.<br />O actor vê aparecer a manhã sobre a cama.<br />Vê a cobra entre as pernas.<br />O actor vê fulminantemente<br />como é puro.<br />Ninguém ama o teatro essencial como o actor.<br />Como a essência do amor do actor.<br />O teatro geral.<br />O actor em estado geral de graça.<br /><br />Herberto Hélder</p>]]>
      
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   <title>Não devemos mentir</title>
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   <published>2021-03-28T08:56:03Z</published>
   <updated>2021-03-28T08:56:16Z</updated>
   
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      <name>Ana Roque</name>
      
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      <![CDATA[<p>Penso que atravessamos uma fase muito estranha da nossa história, que estão a acontecer coisas que ninguém conseguiu prever. E dirigimo-nos para um lugar novo, ainda desconhecido. Portanto, a imaginação não é inútil. Precisamos de imaginar para onde estamos a ir e que tipo de sociedade devemos construir. A cultura e a imaginação são agora muito importantes -- e 'cultura' não no sentido de produção artística, mas de elemento modelador e estruturante das sociedades. O papel do escritor hoje prende-se com dois requisitos: primeiro, ser-se lúcido, ver as coisas como elas são, sem tentar mascará-las; segundo, não propagar o desespero e procurar soluções, não necessariamente afirmando que as há. Não devemos mentir. <br /><br />Amin Malouf</p>]]>
      
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