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Existir

A existência sustenta
a palavra expressada
quando a noite cobre
a cama onde repousam
pedaços do dia

nada representa a vida:
as palavras dão ao contexto
a certeza do que foi dito

sombras dialéticas
discutem luzes espiraladas
onde se perde o minotauro.

Pedro Du Bois

comentários (5)

vbm:

!
... Gostaria de um filósofo
a desdobrar a interpretação
deste vívido cepticismo
...

ana r.:

Sem desprimor para a criatividade do poeta,nos tempos que correm, caro vbm, o cepticismo parece-me a mais natural de todas as atitudes ;)

vbm:

É que eu acho o poema extraordinário.
Segundo ele, o existir consistirá
tão só em permitir a expressão
do pensamento pela palavra

sem que, ao fim e ao cabo,
nada consiga representar
a vida que submerge
dispersa no eterno
repouso...


E para que serviram,
então, as palavras?

Só para a certeza
do que foi dito

meras sombras do vivido,
luzes desconexas
no labirinto
dos sentidos.

:)

Lembrei-me hoje de buscar no google
a presença de Pedro du Bois.
Brasileiro.

Eu sou um pouco
reticente na leitura
de nova poesia,
de novos poetas,

mas deste "Existir"
do du Bois,
gostei!
:)

ana r.:

No meio é o Verbo...

T:

Inicialmente pensei assim, mas o facto de pensarmos, sem a expressão em palavras, gestos, olhares, mímicas, conduz a um pensamento que, mesmo antes do Verbo, estava lá a intenção, desde que consciente. E para preocupar-nos surgem ainda as inconscientes
A intenção ocupa espaços, de onde nada valem sentimentos ou pensamentos.
Nossa, deve ser o início de uma semana, ou de algo que se transforma com a intenção...LOL
:(

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 12 de outubro de 2008.

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