A existência sustenta
a palavra expressada
quando a noite cobre
a cama onde repousam
pedaços do dia
nada representa a vida:
as palavras dão ao contexto
a certeza do que foi dito
sombras dialéticas
discutem luzes espiraladas
onde se perde o minotauro.
Pedro Du Bois


comentários (5)
!
... Gostaria de um filósofo
a desdobrar a interpretação
deste vívido cepticismo
...
Por vbm | outubro 12, 2008 11:07 AM
em 12/10/2008 11:07
Sem desprimor para a criatividade do poeta,nos tempos que correm, caro vbm, o cepticismo parece-me a mais natural de todas as atitudes ;)
Por ana r. | outubro 12, 2008 11:39 AM
em 12/10/2008 11:39
É que eu acho o poema extraordinário.
Segundo ele, o existir consistirá
tão só em permitir a expressão
do pensamento pela palavra
sem que, ao fim e ao cabo,
nada consiga representar
a vida que submerge
dispersa no eterno
repouso...
E para que serviram,
então, as palavras?
Só para a certeza
do que foi dito
meras sombras do vivido,
luzes desconexas
no labirinto
dos sentidos.
:)
Lembrei-me hoje de buscar no google
a presença de Pedro du Bois.
Brasileiro.
Eu sou um pouco
reticente na leitura
de nova poesia,
de novos poetas,
mas deste "Existir"
do du Bois,
gostei!
:)
Por vbm | outubro 12, 2008 12:37 PM
em 12/10/2008 12:37
No meio é o Verbo...
Por ana r. | outubro 12, 2008 5:59 PM
em 12/10/2008 17:59
Inicialmente pensei assim, mas o facto de pensarmos, sem a expressão em palavras, gestos, olhares, mímicas, conduz a um pensamento que, mesmo antes do Verbo, estava lá a intenção, desde que consciente. E para preocupar-nos surgem ainda as inconscientes
A intenção ocupa espaços, de onde nada valem sentimentos ou pensamentos.
Nossa, deve ser o início de uma semana, ou de algo que se transforma com a intenção...LOL
:(
Por T | outubro 13, 2008 2:17 PM
em 13/10/2008 14:17