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Da esperança

E corre, e corre a existência,
E cada dia que cai
Nos abismos do passado
É um sonho que se esvai,

Um almejo de noss'alma,
Anelo de felicidade
Que em suas mãos espedaça
A cruel realidade;

Mais um riso que nos lábios
Para sempre vai murchar,
Mais uma lágrima ardente
Que as faces nos vem sulcar;

Um reflexo de esperança
No seio d'alma apagado,
Uma fibra que se rompe
No coração ulcerado.

Pouco e pouco as ilusões
Do seio nos vão fugindo,
Como folhas ressequidas,
Que vão d'árvore caindo;

E nua fica nossa alma
Onde a esp'rança se extinguiu,
Como tronco sem folhagem
Que o frio inverno despiu.

Mas como o tronco remoça
E torna ao que d'antes era,
Vestindo folhagem nova
Co volver da primavera,

Assim na mente nos pousa
Novo enxame de ilusões,
De novo o porvir se arreia
De mil douradas visões.

A cismar com o futuro
A alma de sonhar não cansa,
E de sonhos se alimenta,
Bafejada da esperança.

Bernardo Guimarães

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 18 de julho de 2010.

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