Tudo em ti é citação de talentosos autores de rematados estupores de gente vulgar - e dos teus amores. Podias ter o nome de um mosaico de um Puzzle de cinco mil de uma faixa em vinil - ou de um mapa antigo Podias ter o nome do inventor da gravura de um campo de batalha Farias pincéis farias punhais e serias um actor inspirado - nesse palco. Podias ter ainda um dos nomes de Rainer Maria Rilke cuja obra ainda não leste. Cujo nome tão bem - e com tanto cuidado - decoraste. Podias ser o assobio a estrofe ou o refrão -e o romper inesperado de um solo desmedido na voz rouca e cheia de arestas do Bob Dylan. Podias ser Tom Waits a comandar um assalto à casa dos licores - com um jarro de sangria em cada mão. Poderias figurar também por inerência - se quisesses no coro dos bem intencionados rapazes da Santo Amaro dos escritores dos poetas dos Bocages que sempre pisaste. Se pudesses escolher serias Cavaleiro aguerrido num livro de Milo Manara com a participação do Corto Maltese - e belas nádegas. Terias que ser ainda (é verdade) Coluna do Record devorada às escondidas E a página cento e tal do Sexus e Henry Miller Nas casas de banho da tua idade madura Gostarias de ser um dia (para não envergonhar tão orgulhoso arquivo) capa de jornal esgotada em 15ª edição por motivos nobres. E é assim que tudo em ti é citação. De talentosos autores. De rematados estupores. De gente vulgar… … e dos teus amores. Que não se te acabe - o pavio. Rui A.