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De onde vem tanto mal?

As fontes da intolerância e a aprendizagem da tolerância

A intolerância está um pouco por todo o lado. Pensamos que, mesmo nas nossas sociedades racionais, ordenadas, iluministas, estamos acima destes excessos. Não estamos. A intolerância é uma constante social e a luta pela tolerância é permanente.

Parte dessa intolerância vem da história e da sua interpretação política, nacional ou étnica. Vem do desporto e da política, dos clubes e partidos entendidos como tribos. Vem da violência inscrita na desigualdade das economias. Vem de culturas que se baseiam em identidades agressivas que excluem os outros. Vem das religiões e dos seus conflitos de fronteira. Vem das pessoas e do seu modo de olhar os outros como sendo alheios e hostis. Vem da ignorância e de ideias grosseiras, mas muitas vezes fáceis e sedutoras. Vem da solidão e do medo.

Dois aspetos nos interessam: de onde vem a intolerância e como se pode, nas escolas, e nas sociedades, fortalecer a tolerância. A escola e a sociedade não podem aceitar a intolerância com passividade. Uma cultura democrática é também uma cultura tolerante, mas a tolerância não é um bem adquirido e seguro. Tem que ser construída no dia-a-dia.

O nosso objetivo é discutir a tolerância falando da intolerância. Vamos fazê-lo num duplo momento: na perspetiva de como nas escolas e no ensino se pode ensinar e aprender a ser tolerante, conhecendo melhor a devastação humana e social que tem feito a intolerância; e numa melhor compreensão daquilo que nos faz, individual ou coletivamente, ser intolerantes. Compreender as raízes da intolerância na história, na sociedade, na economia, na política é um passo para reforçar esse respeito mútuo que incorpora a diferença e a compreensão.

Não é fácil, mas é possível.

José Pacheco Pereira

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 12 de outubro de 2015.

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