« Spencer Frederick Gore | Main | Pierre Auguste Renoir »

Ulisses

No porto, olhai da nave a panda vela:
E além os negros mares. Meus marinheiros,
Meus sócios nas ideias e trabalhos,
Que sempre alegremente recebestes
Trovões e Sóis, e que expusestes livres
O peito e a frente, estamos velhos todos:
Ora a velhice tem seu brio honrado;
A morte acaba tudo; mas, no fim,
Algo de nobre poderá ser feito,
Digno dos homens que enfrentaram Deuses.
As luzes já se acenderam pelas serras:
O longo dia esvai-se: e a lenta lua
Sobe: e as profundas multivárias uivam.
Ainda não é tarde, meus amigos,
Para buscarmos um mais novo mundo.

Façamo-nos ao mar, ao remo assentes,
Arai as fundas vagas. Meu propósito
É ir além do Poente e dos caminhos
Dos astros do Ocidente, até que eu morra.
Provável é que abismos nos engulam:
Ou que nos surjam as Afortunadas,
E o grande Aquil's vejamos, que estimámos.
Muito se perde, e muito fica; embora
Não tenhamos a força que, outros tempos,
Tudo movia – quanto somos, somos:
Uma igual têmpera do peito heróico,
Ao tempo e fado frágil, mas bem forte
Para buscar, achar, e não perder.

Alfred Tennyson, trad. Jorge de Sena

comments powered by Disqus

Acerca

Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 04 de abril de 2016.

Post anterior

Post seguinte

Leia também a primeira página, faça uma pesquisa ou navegue através desta página de todos os títulos em arquivo.

Arquivo

&

Primeiro endereço

© 2004/12 Ana Roque | Powered by JournalistProgrammer | Editado com Movable Type | Top