Eros e agape Tema actualíssimo,
Eros e agape
Tema actualíssimo, vai certamente causar furor na blogosfera, mas tenham paciência: fui eu que hoje, com estes 41º , não resisti à premência do assunto.
Em primeiro lugar, diga-se que a principal diferença é, para mim, a durabilidade dessa afectividade desinteressada que os gregos contrapunham, na qualidade de amor puro, a eros, um amor inquinado de paixão, condenado a uma rápida decadência, seguindo com brevidade a fogueira exclamativa inicial.
Mas há outro ponto de divergência, e é esse que aqui me trouxe: agape pressupõe verdade relacional, discurso crítico, distância apreciativa, enquanto que os fulgores de eros cegam o logos, somente alimentando ergon, a acção.
Ora sucede que quem está muito apaixonado por si próprio ( e esse auto-enlevo é impeditivo de qualquer humildade intelectual) fica igualmente imune a todo o discurso crítico que lhe seja dirigido, mesmo que ditado pelo mais puro e decantado espírito de agape. É esta mera observação de facto que me deixa, por vezes, impotente para interagir. E assim concluo que eros é inimigo do verbo, livre e racional, salvo o que o serve. E quem domina a linguagem utilizada num universo comunicacional, domina as relações que têm esse universo por palco.
Só a física quântica oferece um razoável lenitivo para esta inquietação: emuniversos paralelos, há diferentes hipóteses de resposta. E lá se vai o domínio.
AmAtA
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Publicado em 19 de Junho de 2003