21 de fevereiro de 2018

Karl Hofer

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Da terra

Amar o mar completa a minha vida
com o tacto de um amor imenso.

Amar ateia a margem
arrebata-me de júbilo e paixão.

Mas veio o vento e, por momentos,
amargurou o meu corpo, o oscilar.

E está o sol aqui, depois de uns dias
de jardim obscurecido, a beber sombra.

E sei que os átomos zumbem
e dançam como os insectos
ébrios em redor do pólen.

Fiama Hasse Pais Brandão

20 de fevereiro de 2018

Karl Hofer

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Tenho uma coisa

Tenho uma coisa para te entregar
uma pedra a pôr no chão da rua,
uma luar presença sob o sol.
Tenho uma coisa para te devolver,
para ficar minha sendo tua,
aquecida no tempo e nestes olhos.
Tenho uma coisa que eu te posso dar
que é o vento a vir atrás do verde
e a dizer azul no teu cabelo

Pedro Tamén

16 de fevereiro de 2018

Tallulah Pomeroy

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Noé

Pronto, pronto, eu faço. Dá um trabalhão
mas faço. Corto madeira, arranjo pregos,
gasto o martelo. E o pior também:
correr o mundo a recolher os bichos,
coisas de nada como formigas magras,
e os outros, os grandes, os que mordem
e rugem. E sei lá quanto são!
Em que assados me pões. Tu
gastaste seis dias, e eu nunca mais cabo.
Andar por esse mundo, a pé enxuto ainda,
a escolher os melhores, os de melhor saúde,
que o mundo que tu queres não há-de nascer torto.
Um por um, e por uma, é claro, é aos pares
-- o espaço que isso ocupa.

Mas não é ser carpinteiro,
não é ser caminheiro,
não é ser marinheiro o que mais me inquieta.
Nem é poder esquecer
a pulga, o ornitorrinco.
O que mais me inquieta, Senhor,
é não ter a certeza,
ou mais ter a certeza de não valer a pena,
é partir já vencido para outro mundo igual.

Pedro Tamen

12 de fevereiro de 2018

Karl Hofer

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Estrela

Legenda
para aquela estrela
azul
e fria
que me apontaste
já de madrugada:
amar
é entristecer
sem corrompermos
nada.

Carlos de Oliveira

fevereiro 2018

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