Poema (para o primeiro dia) Hoje, não um poeta distante, invisível, ciosamente guardado entre as páginas de um livro, vivo de cada vez que é lido, sem respirar embora, mas sim um texto belíssimo, retirado de uma casa em chamas, mesmo aqui ao lado, com o autor ainda a sufocar de palavras mágicas. sabes, amo-te. tenho visto as rugas de cada amor e as rugas são elásticas: aparecem para os estranhos, desaparecem para os amados. tenho visto cabelos embranquecidos porque o vento demora meio século a assentar nos cabelos de quem se ama. tenho visto tudo do amor e sei que não há lágrimas nem riso no amor. há o supremo momento de união entre dois corpos em ruínas. tenho visto que há lágrimas e riso, mas não há lágrimas e riso. há uma outra coisa, ainda por nomear. o nome exacto da última pureza. Homem Fumando Bom Ano Novo! --------