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Da Distância

(gentileza de Amélia Pais)

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade


Al Berto

comentários (4)

LB:

Li, reli e tornei a ler... quantas vezes?

ana r.:

Inúmeras...

LB chamou-me a atenção para este "Modus vivendi". Gostei e vou ficar "cliente". Parabéns!

ana r.:

Caro Torquato da Luz, muito obrigada pela visita e pelo apreço. Volte sempre!

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 15 de dezembro de 2006.

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