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Os amorosos

(gentileza de Amélia Pais)

Os amorosos calam.
O amor é o silêncio mais fino,
o mais trémulo, o mais insuportável.
Os amorosos buscam,
Os amorosos são os que abandonam,
são os que mudam, os que esquecem.
O coração lhes diz que nunca hão-de encontrar,
nunca encontram, procuram.

Os amorosos andam como loucos
porque estão sós, sós, sós,
entregando-se, dando-se a cada instante,
chorando porque não salvam o amor.
Preocupa-os o amor. Os amorosos
vivem dia a dia, não podem fazer mais, não sabem.
Sempre a ir-se,
sempre, para algum lado.
Esperam,
não esperam nada, mas esperam.
Sabem que nunca hão-de encontrar.
O amor é a prorrogação perpétua,
sempre o passo seguinte, mais um, mais um.
Os amorosos são os insaciáveis,
Os que sempre – que bom!- hão-de estar sós.
(...)


Jaime Sabines

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 23 de dezembro de 2006.

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