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Iluminar o infinito

(gentileza de Amélia Pais)

Com um só fósforo ilumino o infinito.
E muitas vezes o infinito é algo
muito próximo, um livro, uma chávena
de chá, o teu rosto escondido
na penumbra, o retrato de alguém desconhecido
que de uma praça, acena,
um fio de tabaco, um monograma
num lenço muito branco.
O infinito o mais das vezes é
não mais do que o que toca o coração,
uma leve poeira pelo ar, um ponto fixo
que a mão ousa tocar, esta chama
que de repente amplia a escuridão
e me torna visível a quem passa
e no clarão acende o seu cigarro.

Amadeu Baptista

comentários (2)

Lindissimo texto. Obrigada pela partilha. Voltarei *

ana r.:

Obrigada pela visita e pelas palavras. As fotos no Contornus são muito interessantes. Volte sempre!

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 08 de maio de 2007.

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