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Transição

Expressar.
Esquecer os atalhos, os desvios, a fuga.
Este é o lugar : fincar raízes
em solos aéreos, improváveis.
Decifrar imagens no espelho
esmerilhado por desastrado gesto.

Cirandas na ausência,
mãos tateando o escuro,
o turvo elemento, o verbo,
que depende.

Como depende.
Essa linguagem perseguindo
a atenção do silêncio.
Signos anunciam, seio conhecido, Vita nuova:
"Amar-te-ei em excesso após a morte.
Ninguém cantará teu amor como eu".

Cantor de improviso,
de onde vens e de onde extrais
essa sabedoria imprudente?

Começa agora outro dia.
O poeta canta.
O poeta canta.
Por males que não espanta.

Maria da Conceição Paranhos

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 17 de maio de 2007.

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