« La Hyre | Main | Talking In Bed »

As Palavras

Se fosse possível escrever sem nenhuma tensão
com a oval fluência de um vagaroso ócio
poderíamos libertar essa plácida lua
presa entre os rígidos flancos do ventre

Teríamos então a lucidez do sono
e as pálpebras ordenariam o fluir das linhas
que estariam de acordo com o silêncio dos montes
e com a voluptuosa lentidão do mar

No vagar de lúcidas surpresas
a palavra teria a vaga monotonia
de uma nuvem que nada mais dissesse
do que a clara indolência do dia

António Ramos Rosa

comentários (2)

Eu nunca compreendi o ARR. Leio poesia quase desde que sei ler. Até li o "discurso sobre o filho da puta" do Alberto Pimenta. Mas o ARR nunca compreendi. Li, ao longo destas décadas, muita escrita esquisita mas o ARR escapa-me ao entendimento. "se as pedras cantassem seriam cantoras" dizia Alberto Caeiro.

ana r.:

Há frases dele que, de tão puras, quase ofuscam o sentido total do poema. Mas outras são imperdíveis na força da imagem - que dizer da "lucidez do sono"?

A sua opinião?

Acerca

Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 07 de julho de 2007.

Post anterior

Post seguinte

Leia também a primeira página, faça uma pesquisa ou navegue através desta página de todos os títulos em arquivo.

pub




Arquivo

&

Primeiro endereço

© 2004/07 Ana Roque | Powered by TubarãoEsquilo | Editado com Movable Type | Top