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Do ócio esperado

Quando o sossego é só sossego e a visão do mar espraia a nossa identidade
sentimo-nos cúmplices da terra na densidade azul
e respirando pertencemos à leve vibração
de um ser anónimo vagamente feliz
que renova em nós os alvéolos do sangue
e dança na linfa com os seus élitros verdes
O peito levanta-se com os seus campos e regatos
e ergue-se até à cúpula das estrelas latentes
O ócio murmura nas esferas e cintila nos monótonos fulgores
e o sentido de tudo liberta-se de si mesmo
para ser a liberdade de um presente inextinguível
Se se pode tocar o ardor na sua fuga tentamos projectá-lo em grãos incandescentes
para que a boca que os lê possa reencontrar o seu sabor primordial

António Ramos Rosa

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 14 de julho de 2007.

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