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Longe

O risco é o do horizonte:
aqui – princeps – em ponta fina.
Além, é o precipício
onde, cerce, termina
a peripécia do som
e se inicia a linha da voz
pontilhada e no limite.

Ao longe
versos longos e lentos como barcos
viajam
ao largo, fora do alcance
da mão: nuvens navegantes naus
sem flâmulas
algas ou algumas frases nuas
na linha do horizonte
que naufragam e fracassam
um instante antes de falar.

Presas em flagrante
as frases naufragadas
não anunciam nada.
Não navegam em nenhuma nave:
soçobram os sentidos
prestes a se afogarem
como as pedras
sem a casca da voz
à margem
longe da costa.

Armando Freitas Filho

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 13 de julho de 2007.

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