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Noturno à janela

certas noites
a névoa invade
tão densa tudo
que impede ver
o outro lado da baía

não apenas
a linha do horizonte
ou o corpo das montanhas
ou mesmo o espaço de mar
e as ilhas interpostas

que toda noite
quase ocultos
já tendem a se tornar
mera hipótese
salvo a brisa
e o que nela há
de memória e suposição

mas sobretudo
os faróis
suas luzes intermitentes
ora pontuações do silêncio
ora suturas de uma arquitetura
sem limites sem traves
volumes insuspeitos opacos
sim um tudo desmesuradamente nada

Júlio Castañon Guimarães

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 12 de julho de 2007.

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