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Voluptuoso Mar

O sentido é uma ingénua formação que respira
e não culmina porque é o frémito
da identidade na distância ou num inesperado oásis
Pensamos que é a revelação de um segredo o amadurecimento de um fruto
e que a vida vai recomeçar e prosseguir com um novo alento
mas logo a matéria do tempo se interpõe entre o desejo e os nossos gestos
completamente alheia ao nosso desejo de ser
um corpo que habita o espaço e no espaço se consuma
O não-sentido é irredutível e em nenhum mistério vibra o que está por detrás dele ou não
porque o seu silêncio é tão absoluto como absoluto é o silêncio de Deus
Nada pode redimir o desamparo essencial o tremor de ser sem ser nos abismos da existência
Só a palavra que escuta e na sua escuta forma um espaço lento
pode recolher a luz do improvável como se este fosse uma respiração
e através dele o mundo se reconstituísse em ordenadas colunas
de um jardim banhado pela orla indolente de um voluptuoso mar

António Ramos Rosa

comentários (2)

O melhor blog que eu conheço. É aqui.

Obrigada,
Anita

ana r.:

Eu é que agradeço a visita e a simpatia, Anita! Volte sempre :)

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 20 de julho de 2007.

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