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O tempo

O tempo, bem o sabes, escorre das mãos,
e todas as horas são abissais.
Em qualquer cidade, as ruas,
assim como o grande rio,
desembocam sobre o imponderável.
Por isso, teus pés aprenderam, muito cedo,
a desembrulhar os caminhos.
Tua passagem,
o espanto da abstrata carne.
Tua palavra,
o desespero das traças. Teu olho
sobre a mulher que flutuava à janela.
Tuas mãos
doadas aos jarros de flores murchas.
Teu peito,
um cais soçobrado na madrugada.
Muitas terras percorreste,
e hoje, cada uma delas,
dentro de ti, é inefável lavoura.

Carlos Augusto Viana

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 19 de agosto de 2007.

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