(gentileza de Amélia Pais)
do outro lado das palavras os ramos altos das figueiras
a misturar o tempo com restos de casas abandonadas
levanto as mãos no meu sonho
e uma ferida de água nas pontas dos dedos
durará aqui como um beijo imaginado
lembrando correndo dormindo
falo da outra face dos rios
de coisas velozes como a terra onde dói um sorriso
onde a noite se dobra nítida ao fervor das sementes
onde o corpo adivinha essa cor rasgada nos lençóis
depois olho-te em segredo
respiro o que tu respiras
escrevo essas palavras adormecidas no ar
olho-te longe da minha insónia
contemplo o horizonte quebrado dos montes
o trigo o feno as estevas rio-me
a sombra dos meus braços move-se
junto aos gatos entre avencas e silenas
fico imóvel atento
onde começará este esquecimento?
como será o meu silêncio no teu rosto?
deita-te sobre mim vem escuta
as árvores abrem-se ao meio nas ruas da vila
nas pedras cansadas nas amoras junto ao sol dos muros
vem não tenhas medo
sou teu e também isto são pormenores
vem era uma vez dois magos numa floresta
Joaquim Cardoso Dias


comentários (3)
São tantas gentilezas de tua amiga Amélia Pais que sinto até ciúmes. Dá para acreditar num absurdo desses???
Beijos às duas.
Por Milton Ribeiro | setembro 29, 2007 2:39 AM
em 29/09/2007 02:39
Viva,Milton! o ciúme das palavras descobertas é desculpável :)
Um abraço
Por ana r. | setembro 29, 2007 10:01 AM
em 29/09/2007 10:01
Sem dúvida, sem dúvida, querida amiga.
Por Milton Ribeiro | outubro 1, 2007 2:36 PM
em 01/10/2007 14:36