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Mudanças de Nome

(gentileza de Amélia Pais)

Aos amantes das belas letras
Faço chegar os meus melhores desejos
Vou mudar o nome de algumas coisas.
A minha posição é esta:
O poeta não cumpre a sua palavra
Se não muda o nome das coisas.
Com que razão o sol
Há-de continuar a chamar-se sol?
Peço que se lhe chame Micifuz
O das botas de quarenta léguas!

Os meus sapatos parecem ataúdes?
Saibam que de hoje em diante
Os sapatos chamam-se ataúdes.
Comunique-se, anote-se e publique-se
Que os sapatos mudaram de nome:
A partir de agora chamam-se ataúdes.
Bom, a noite é larga
Todo o poeta que se estime a si mesmo
Deve ter o seu próprio dicionário
E antes que me esqueça
Ao próprio deus há que mudar-lhe o nome
Que cada qual o chame como quiser:
Esse é um problema pessoal.

Nicanor Parra, trad. de Henrique Manuel Bento Fialho

comentários (2)

hmbf:

Do mesmo autor, verti hoje um outro:

CARTAS A UMA DESCONHECIDA //

Quando os anos passarem, quando passarem /
Os anos e o ar tiver cavado um fosso /
Entre a tua alma e a minha; quando passarem os anos /
E eu for apenas um homem que amou, um ser detido /
Por um instante frente aos teus lábios, /
Um pobre homem cansado de andar pelos jardins, /
Onde estarás tu? Onde /
Estarás, ó filha dos meus beijos!

In «Poemas y Antipoemas» (1954)

hmbf:

Já agora, as estrofes estão erradas. O original é:

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 23 de setembro de 2007.

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