(gentileza de Amélia Pais)
Aos amantes das belas letras
Faço chegar os meus melhores desejos
Vou mudar o nome de algumas coisas.
A minha posição é esta:
O poeta não cumpre a sua palavra
Se não muda o nome das coisas.
Com que razão o sol
Há-de continuar a chamar-se sol?
Peço que se lhe chame Micifuz
O das botas de quarenta léguas!
Os meus sapatos parecem ataúdes?
Saibam que de hoje em diante
Os sapatos chamam-se ataúdes.
Comunique-se, anote-se e publique-se
Que os sapatos mudaram de nome:
A partir de agora chamam-se ataúdes.
Bom, a noite é larga
Todo o poeta que se estime a si mesmo
Deve ter o seu próprio dicionário
E antes que me esqueça
Ao próprio deus há que mudar-lhe o nome
Que cada qual o chame como quiser:
Esse é um problema pessoal.
Nicanor Parra, trad. de Henrique Manuel Bento Fialho


comentários (2)
Do mesmo autor, verti hoje um outro:
CARTAS A UMA DESCONHECIDA //
Quando os anos passarem, quando passarem /
Os anos e o ar tiver cavado um fosso /
Entre a tua alma e a minha; quando passarem os anos /
E eu for apenas um homem que amou, um ser detido /
Por um instante frente aos teus lábios, /
Um pobre homem cansado de andar pelos jardins, /
Onde estarás tu? Onde /
Estarás, ó filha dos meus beijos!
In «Poemas y Antipoemas» (1954)
Por hmbf | setembro 29, 2007 11:33 PM
em 29/09/2007 23:33
Já agora, as estrofes estão erradas. O original é:
3
3
4
6
7
Por hmbf | outubro 28, 2007 7:49 PM
em 28/10/2007 19:49