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No cume da noite

Rompo o tempo com uma canção de bolero
Persigo minhas presas como uma pantera faminta
Saboreio a caça com total serenidade
Converto meus anseios em fome saciada

Renego as memórias ancestrais
Venço o dia com o suor do meu cansaço
Glorifico cada instante como sendo o último passo
Concebo o mundo como um enigma decifrado

Evoluo com a idade do calendário
Experimento a insensatez da lúcida esperança
Distraidamente chuto as pedras do caminho
E desbravo horizontes com a minha peregrina jornada

Fujo de mim e esqueço inúmeras verdades
das sombras e das escuridões
Uma ilusão alada
Incorpora-se no meu coração

Permaneço em repouso
Um cheiro de ervas inebria o luar
Escalo cumes para tocar as estrelas
E finco minha bandeira na noite devassada.

Ana Cristina Souto

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 09 de setembro de 2007.

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