O tempo começa
quando nascem certas flores.
O tempo denso de uma noite,
o seu perfume, a sua ardência,
de uma flor que não pode ver o
dia.
O tempo acaba
quando morrem certas flores.
O tempo evanescente de uma
garoa:
o seu afago, a sua frialdade,
de uma flor que não pode ver a
luz.
O tempo é noite, é bruma:
permanência do escuro entre as
estrelas,
uma passagem de arrepio entre
calores.
O tempo começa e o tempo
acaba,
tudo que dizemos sobre flores,
rápidos, efêmeros, doentes;
nossa mirada, uma miragem,
resvala em jardim, de madrugada.
Fernando Peres


comentários (2)
aiiiiiiiii o tempo...
que bonito poema Ana.
Por M&M | setembro 28, 2007 7:56 PM
em 28/09/2007 19:56
Ainda bem que gostaste :) Bom fim de semana por aí...
Por ana r. | setembro 28, 2007 11:12 PM
em 28/09/2007 23:12