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Zoológico

Não leio o poema como o azul dos olhos
nem vejo as naves como a luz do ocaso
nada transformará lágrimas em frutos
nada redimirá as faces desbotadas.

Pássaro apenas
o bico inerte
as pernas rotas
os pés inchados

O silêncio perturba meu silêncio
nauta que se perdeu
imobilizado pêndulo
complexo sistema de horas
e sons estagnados.

Na gaveta do tempo
guardei os sapatos de outrora
o velho terno marrom
passeia em conúbio com as manhãs
sepultadas na poeira longínqua

Ficou a pele riscada de luto
o cimento categórico do presente

A vontade de rir envelheceu

Um dia alguém há de encontrar a fera
e penetrando sua crespa geografia
saberá que seus olhos ardem como brasas.


Florisvaldo Mattos

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 14 de setembro de 2007.

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