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Animais

Dois homens abraçaram-se ruidosamente na rua,
e o seu colóquio a sombra de ábditos deuses
transportou-me para um comércio de infâncias e de começos.

Cheguei a invejar-lhes a cruel alegria.

Dois cães brincaram na água,
e a sua herança de sangue expôs-se:
ira inclemente, rigorosa forma expondo-se.

Cheguei a invejar-lhes a ausência de conceito.

Aqui te abrigas, nesta vaga hereditária e antiga,
aqui sonhas a tua origem e o teu fim,
aqui repousas no eixo do fátuo enigma.

Nada foste. Nada és, animal cego e piedoso.


Luís Quintais

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 17 de outubro de 2007.

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