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Areias de ouro

Que estranha visão terá de ti
o rio que passa
e ao qual os poetas inutilmente oferecem
areias de ouro e de Byron?

Umas vezes oblíqua aos olhos de quem ama
a liquidez das cúpulas sonoras
onde ondulam as casas
na sua pulsação
nervosa e feminina.

Outras vezes erecta e pombalina
talhada para letras
de câmbio
velha receptara
e hoje só senhora
dum tempo fixo e mudo
indiferente à pedra.

Mas mais das vezes crespa
nas ondas ruidosas
erguidas da terra ébria
vasto espelho de bar
para novas aventuras.

E na boca do fim

à beira de um mar de quem não teve infância
só os monumentos
eventos
– ventos da distância.


Armando Silva Carvalho

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 09 de outubro de 2007.

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