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Noturno azul e vermelho

Foi assim no vosso convívio
um hóspede passageiro,
obscuro como uma casa
sem portas e janelas,
escravo do passado
atados a nós amargos.

Tão longe, uma agonia
num adorno de aparências,
e no seu mundo invisível
asas pela metade em azul
cobalto, um medo
incompreendido.

Dividido e fugidio,
não morto, evasivo,
sem se deixar ser observado,
escondido nuns óculos escuros,
desertor de alguma guerra
ou de alguma luta.

Não se sabe o motivo
deste outro ser,
que suspira um ar,
que busca na superfície
onde permeia a latência,
um desejo vermelho sangue.

Que está convosco
numa vontade de viver
e sentir na realidade
este sonho inconsciente,
que procura sem cessar,
uma satisfação jamais vista.

José Aloise Bahia

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 06 de outubro de 2007.

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