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Manhã

Lentamente, foi se afastando da praia.
Estava amarrado, e depois, em um segundo,
Oscilava livre e ia sendo recolhido pela maré vazante.
Era um bote pequeno,
Mas mesmo assim teria demorado até que desaparecesse.

No alto mar, ao sabor das correntes que o arrastaram por dias, deve ter recolhido a chuva
E deve ter secado ao sol,
E a água que foi penetrando pela borda
Ao meio‑dia deve ter deixado um rastro brilhante de sal sobre os dois bancos
E nas dobras da madeira velha do fundo.
Depois, talvez numa noite de chuva,
Primeiro uma onda o alagou até o meio.
Em seguida, balançando mais lento, foi aos poucos coberto pela água.
Como não afundasse, assim ficou vagando,
Até que se desfez em partes,
Uma das quais é esta, que agora
Está quase enterrada na areia.

Paulo Franchetti

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 11 de fevereiro de 2008.

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