Em ti, o poema, o amplo tecido de água ou a forma
do segredo. Outrora conheceste a margem abandonada
do desejo, a sua extensão e principias a entregar
os vasos alongados para receberes as mãos das chuvas.
Apagaram-se junto aos olhos as praias, as árvores
que se ergueram um dia sobre as estradas romanas,
o vestígio dos últimos peregrinos, aves nuas
que já desceram, cansadas, pelo interior do teu peito.
Uma voz, no silêncio calmo das águas, esquece
a mentira das primeiras colheitas, onde os nossos gestos
perderam os sorrisos ou o orvalho que os cerca.
Serenamente, começaram a fechar-se os sonhos de Deus
no interior de novos frutos e, abandonado, fico
junto do teu corpo, onde principia a sombra deste poema.
Fernando Guimarães


comentários (2)
Cara Ana, os votos de uma Páscoa que signifique verdadeiramente passagem: do desânimo ao alento, da tristeza à determinação, da inquietude à confiança.
Por Maria Helena | março 22, 2008 9:06 AM
em 22/03/2008 09:06
Cara Maria Helena, obrigada pelos sábios votos, que de facto sintetizam o caminho a percorrer.
Por ana r. | março 22, 2008 9:16 AM
em 22/03/2008 09:16