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Escultura de amanhã

Dentro de um secular sossego
nós somos
a escultura de amanhã

(trilhos de formiga
descem no cabelo
patinado de pó o coração)

Tu e eu
só estátuas de amanhã
Não temos na mão a flor
um livro uma espingarda
uma cadeira gasta onde morrer
E sem o monstro gótico apunhalado aos pés

(Todos os sonhos são de pedra ou bronze
não os meus de palha ou de papel)

Tu e eu
baixo-relevo
vendidos tocados expostos em vida
perseguidos pelos milionários
e pelos mortos talvez que invadiram já
o pedestal das estátuas

Tu e eu
elípticos de sexo
ontem gritada no teu peito
hoje secreto no meu ventre

deserdados da sombra
já sem gesto
escultura de amanhã


Luiza Neto Jorge

comentários (2)

vbm:

ana, repliquei este teu poema no meu blog,
com uma escultura de gustav vigeland
que vi no blog aluaflutua.

gostei da conjugação!

:)

ana r.:

Obrigada em duplicado- pela réplica e pela notícia dela.

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 19 de março de 2008.

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