« Yes! No! | Main | Da liquidez perfeita dos passos »

Hoje

A verdade é filha do tempo.

Aulo Gélio, in noites Áticas

É, na verdade, um dia extraordinário, no sentido de marcante, diferente. Simbólico. Claro que os desenhos que permitem o padrão deste dia começaram a ser traçados há largos meses, em algumas dimensões há mais tempo ainda, graças aos deuses que se apiedaram de tantas horas vãs. Tempo de balanço, sempre interior, incomunicável. Ainda assim, dois terços de uma vida média deram para isto: memórias ricas de afectos, momentos de realização, objectivos cumpridos, algumas dores, desalentos e passos perdidos, até vislumbrar o começo da sabedoria. A alegria máxima dos filhos chegados à maioridade com rumo, esperanças, metas a atingir. O consolo da presença daqueles que nos geraram, e a construção diária de uma partilha intensa, cúmplice e inteira a que se convencionou chamar amor. As décadas, de tão cheias, voaram, levando a inconsistência de tudo o que não poderia nunca transformar-se em solidez. Sobrou o que conta, enfim.

comentários (11)

Uma Senhora De Idade Que Passou Por Aqui:

E o que conta é o que conta - o resto é poeira cósmica que gravita no Nada... bem longe do que dá consistência aos dias.

ana r.:

Nem mais ;)!

Al Guem:

A verdade não pertence a ninguém, mas tão somente a quem seja capaz de a entender.

Al Guem, isso é o que se chama de complexo de propriedade, não é verdade?

Ana: obrigado por esta tão rica eucaristia de palavras. Ler-te é outro privilégio.

ana r.:

E não será o contrário? A verdade não será sobretudo a de cada um, mesmo se há verdades universais e partilháveis, Al Guem?

E quanto a beleza de escritas, domínio das palavras, dote em riquezas humanas, estamos conversados, Paulo :)

m.:

Faço minhas as palavras do Paulo relativas a privilégios :)

E quanto ao resto, o abraço ;)

ana r.:

Obrigada,cara M. :)

T:

Abraços a todos .. que não me confundam com NIN-guem...:)

sou incapaz de ser troll etc e tal.

ana r.:

A T. não é confundível :)

Maria Helena:

Ana, suspeito que este foi um dia de reunir o tempo num só dia e fazer dele uma festa e, assim, perceber que a eternidade não é muito tempo, mas fora do tempo.
Se assim foi, um abraço!

ana r.:

Exacto! Mas meio século é uma eternidade, quand même ;)
Obrigada, cara Maria Helena.

A sua opinião?

Acerca

Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 27 de março de 2008.

Post anterior

Post seguinte

Leia também a primeira página, faça uma pesquisa ou navegue através desta página de todos os títulos em arquivo.

pub




Arquivo

&

Primeiro endereço

© 2004/07 Ana Roque | Powered by TubarãoEsquilo | Editado com Movable Type | Top