Há algo de imortal numa promessa,
dizia Borges num poema seu.
Lembra-me só, sem que eu sequer te peça,
esse esquecido verso quem mo deu.
Podia ser quem mais desconhecesse
um jogo que entre versos e temores
da nossa própria vida se tecesse
em doída suspeita de fulgores
Perfeitos os amores sem piedade;
abolidas certezas; e a paixão
podia ser tão só a claridade
da noite a agonizar à nossa mão.
Ninguém estende a mão a um poema
que a memória não saiba transformar:
neste, corpos e versos são o tema
dos jogos que aprendemos a jogar.
Como um amor que dói sem ter nascido,
num verso cabe a vida e o seu olvido.
Luís Filipe de Castro Mendes


comentários (5)
http://ddata.over-blog.com/xxxyyy/0/15/89/36/muzak03/02-ne-chantez-pas-la-mort.mp3
Entre ontem e anteontem, conheci esta canção musicada por Léo Ferré - que nem aprecio por aí além -, mas que neste Ne chantez pas la mort é cativante. Diz-me se gostas.
Por vbm | março 13, 2008 10:39 AM
em 13/03/2008 10:39
obrigada; ouvirei.
Por ana r. | março 13, 2008 2:27 PM
em 13/03/2008 14:27
Melancólico q.b. ;)
Por ana r. | março 14, 2008 8:32 AM
em 14/03/2008 08:32
... eu, gostei :)... embala-dor :)
Por vbm | março 14, 2008 11:16 AM
em 14/03/2008 11:16
;)
Por ana r. | março 15, 2008 10:49 AM
em 15/03/2008 10:49