"(...) todos os convidados pareciam ser de meia-idade, aquela idade intermédia, não totalmente desinteressante, quando finalmente se sabe aquilo que se quer e também se sabe que nunca se terá."
Robert Dessaix, in Corfu, trad. Ana Teresa de Castro, ed. Gótica


comentários (8)
Diz bem: nunca se terá e não é por causa da meia idade; não se iluda.
Por circe | março 9, 2008 9:42 PM
em 09/03/2008 21:42
Claro que não é por causa da meia-idade, cara circe, é por causa de outra coisa: o puro e simples realismo, sabe, quando entre as pessoas e a vida deixa de haver equívocos - nem pessimismo e choraminguice, nem optimismo voluntarista e enganador.
Por ana r. | março 9, 2008 10:10 PM
em 09/03/2008 22:10
Realismo ou perder a alma, perder a dignidade, acomodar-se a uma vida sem gosto, medíocre?
Por circe | março 9, 2008 10:16 PM
em 09/03/2008 22:16
Pelo contrário, caríssima: uma vida sem gosto nem dignidade é, muitas vezes, o preço que se paga pela vanitas, que só se esbate - ou era bom que esbatesse - in mezzo del' camin; quanto à alma, ela é a principal beneficiada pelo fim do esvaziamento exploratório do ego. Mas, se calhar, a circe é muito jovem para perceber isto...
Por ana r. | março 9, 2008 10:24 PM
em 09/03/2008 22:24
Interessante diálogo... :) Será mesmo desafio juvenil o de Circe? :)
Estou curioso. E duvido, como duvido desse sentimento
de maturidade sem ilusões da requintada boguista
do modus vivendi porquanto cita com ternura:
«In mezzo giorno de mi vitta, te hai trouvato, Beatrice!» :))
Por vbm | março 10, 2008 2:33 PM
em 10/03/2008 14:33
Caro Vasco, a intuição aliada à inteligência devia ser declarada perigo público :)
Tem toda a razão, e é mister que desfaça esse pequeno equívoco entre nô e kabuki: a circe não é jovem, hélas, nem sequer é "a", mas sim "o": prestei-me, contudo, a este e a anteriores curtos diálogos porque "old habits die hard" - e, no meu caso, que sou mais teimosa do que persistente, "very hard indeed". A origem do IP da "nossa" circe desde cedo me revelou de onde vinha, e as suas palavras, que sei de cor, ao que vinha. Não, Vasco, não é uma jovem mulher. É um homem de mais do que meia idade. E que não aprendeu, lamento.
Por ana r. | março 10, 2008 9:23 PM
em 10/03/2008 21:23
:) Uma das primeiríssimas lições que aprendi na net foi a de não inferir senão em modo prudencial... :)
Mas, em diálogo, sempre tomo os textos na sua aparência nominal, por gosto com simpatia :)
Por vbm | março 10, 2008 9:54 PM
em 10/03/2008 21:54
A atitude prudencial nem na regulação tem êxito garantido, quanto mais nesta selva indistinta dos costumes... mas faz bem - sempre é uma segurança ;)
Por ana r. | março 10, 2008 10:11 PM
em 10/03/2008 22:11