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Da esperança

Bate a esperança
a esperança bate
crio este refrão:
a esperança bate

busco a rima inútil
a pancada do coração
a esperança bate
e eu escuto

vou além do fútil
corro o horizonte
que não vai além
de livros e papéis espalhados

teus olhos surgem/ fogem de mim
flores que eu queria em nenhum jarro
cato-os, migalhas sobre a mesa
coloco-os no papel
a luz acesa
enxergo tua boca
agora de frente
beijo a parede

tudo está fechado
portas e janelas
tenho as chaves
mas estou emparedado

a esperança bate
vou atender:
era engano;
volto a ler os anos

as imagens voltam como ondas
furiosas atrás de mim
perguntando-me de mim
rindo de mim
eu não digo nada
a esperança bate

tem dias em que não quero franzir a testa
por isso não penso nem vou ver o sol
cubro o espelho e deito-me

o vento anuncia teu perfume
abro a porta sorrateiramente
tu entras vestida de ilusão
ou sou eu que me iludo
dá no mesmo

a noite paira,
pairo sobre ela
sentado, remexendo papéis
minha vida é feita de papéis

a sorte um dia disse que vinha
todos esperaram na cidade
a esperança bate

minh’alma de sonhar-te anda perdida
e a esperança bate
florbelamente em meu peito

ser herói seria bom
tantas vidas
revistas, fitas coloridas
álbum de figuras...

hoje perdi as andorinhas
mas a esperança bate
amanhã chego cedo no portão
espero que uma delas pouse no muro
e me leve para ti.

Carlos Gildemar Pontes

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 27 de abril de 2008.

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