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Amor do prazer e amor da acção

Há duas tendências muito naturais que podemos distinguir nas mais virtuosas e liberais disposições: o amor do prazer e o amor da acção. Caso o primeiro seja refinado pela arte e a ciência, melhorado pelos encantos do convívio social e corrigido pelo justo cuidado com a economia, a saúde e a reputação, ele origina a maior parte da felicidade da vida privada. O amor da acção constitui um princípio de natureza mais forte e duvidosa. Conduz, frequentemente, à ira, à ambição e à vingança; mas sempre que é dirigido pelo sentido do decoro e da benevolência, torna-se o pai de todas as virtudes e, caso estas virtudes se façam acompanhar de talentos iguais, uma família, um Estado ou um império podem ficar a dever a sua segurança e prosperidade à coragem intrépida de um só homem. Ao amor do prazer podemos, assim, atribuir a maior parte das qualidades agradáveis, e ao amor da acção a maioria das que são úteis e respeitáveis. Um carácter em que ambos pudessem unir-se e harmonizar-se pareceria constituir a noção mais perfeita da natureza humana.

Edward Gibbon, in Declínio e Queda do Império Romano, ed. D. M. Low, trad. Maria Emília Ferros Moura

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 04 de maio de 2008.

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