Esta é a designação familiar para distinguir as manifestações eufóricas do 1º de Maio de 1974 - nas quais, diga-se desde já, não participei de forma alguma por motivos que ainda hoje me parecem os mais válidos do mundo: tinha acabado de entrar nos meus sweet sixteen e o meu alto e loiríssimo namorado (aposto que ainda hoje continua elegante e de pronto sorriso semi-trocista) tinha o dia livre para mim. Acresce que, dada a natural alegria dos meus pais com a liberdade recém chegada, estava certa (e não me enganei...) que iriam participar na manifestação que se adivinhava uma verdadeira catarse colectiva dos "48 anos de fascismo". Essa vontade participativa esgotou-se-lhes aliás logo a seguir, e acho que até hoje nunca mais foram a qualquer movimento de massas - com excepção dos proporcionados pela cozinha italiana, que não desdenham. Mas naquele dia, deixando a casa sob a vigilância reduzida de uma avó metediça mas também mais interessada, por uma vez, no que se passava na rua do que em casa, aqueles simpáticos trintões permitiram-me involuntariamente uma celebração particular e inesquecível do primeiro 1º de Maio.


comentários (6)
:)
Por vbm | maio 1, 2008 12:02 PM
em 01/05/2008 12:02
Eu estive lá! Tinha vinte anos, o mundo e a vida inteiros pela frente... Foi um viver do sonho em plena luz, a liberdade a "passar por ali".
Venha o que esteja por vir :), aquela vivência única e as memórias que guardo ninguém mas pode roubar!!!
Por Uma Senhora De Idade Que Passou Por Aqui | maio 1, 2008 5:49 PM
em 01/05/2008 17:49
Sim, querida Dona Vi, ainda hoje comentávamos aqui no remanso do lar que as memórias desses tempos são um valor seguro nas nossas vidas; só não concordo com a certeza final: é que o Senhor Alzheimer é muito atrevido e gosta imenso de derreter as memórias alheias ;)
Por ana r. | maio 1, 2008 6:04 PM
em 01/05/2008 18:04
Ora, minha querida menina, ninguém nos garante que o Senhor Alzheimer não tem (ao menos) uma pontinha de misericórdia e não nos permite, dentro do alheament em que nos confina, rever algumas das nossas memórias, pelo menos as que estão mais perto do nosso coração... Haja esperança, essa teimosa que (dizem) é a última a morrer...
Por Vi | maio 1, 2008 6:26 PM
em 01/05/2008 18:26
:)
Por ana r. | maio 1, 2008 8:53 PM
em 01/05/2008 20:53
Que história engraçada...
:)
Cristina
Por cristina | maio 3, 2008 9:57 AM
em 03/05/2008 09:57