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Também nós amamos a vida

Também nós amamos a vida quando podemos
Dançamos entre dois mártires e no meio deles
erguemos um minarete de violetas ou uma
palmeira.

Também nós amamos a vida quando podemos.

Ao bicho– da - seda roubamos um fio para tecer o
nosso céu e estancar este êxodo.
Abrimos a porta do jardim para que o jasmim saia
para a rua como um dia bonito.

Também nós amamos a vida quando podemos.

Na morada que escolhemos, cultivamos plantas
vivazes e recolhemos os mortos.
Sopramos na flauta a cor da distância,
desenhamos um relincho no pó do caminho.

E escrevemos os nossos nomes, pedra a pedra. Tu,
ó raio, ilumina a nossa noite, ilumina-a um
pouco.

Também nós amamos a vida quando podemos.

Mahmoud Darwish, trad. de Albano Martins

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 10 de agosto de 2008.

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