Finalement, finalement
Il nous fallut bien du talent
Pour être vieux sans être adultes
Jacques Brel
O desespero - percebes finalmente -
era uma energia, uma espécie de caminho
para quem não tinha passos. Os amigos
(se assim lhes podias chamar) encontravam-se
à volta de uma garrafa e injuriavam toda a noite
o amor de que em breve se fariam escravos.
Falavam de quase nada, os olhos parados
na música, o corpo disponível
para charros, risos e derrotas. Essas ruas,
sabes, nunca mais foram assim
o rastilho da descrença e o motim da desrazão.
Coisas de facto imberbes - navalhas
que fingiam a dolorosa perfeição da indiferença.
Pouco importa. Outros sinais cresceram,
fazendo desses rostos uma porta
fechada onde nem pela memória
esperas o milagre de encontrar alguém.
Deve ser a morte, o fim, isso mesmo
que julgavas esconjurar quando punhas flores
no gargalo verde e vigiado das garrafas.
A luz dos últimos bares tomba agora
sobre um corpo esquivo, mais sozinho,
que nem sequer nestas palavras acredita.
Manuel de Freitas


comentários (5)
Espantoso!
Por vbm | setembro 22, 2008 8:48 AM
em 22/09/2008 08:48
Também me tocou muito este poema, Vasco.
Por ana r. | setembro 22, 2008 9:09 AM
em 22/09/2008 09:09
Editei-o aqui,
com uma imagem,
que me pareceu,
apropriada.
Às vezes faço isso com os teus posts,
mas referencio o modus vivendi.
São coisas belas demais
para estarem tão discretas
se bem que isso não lhes afecte a beleza,
mas doi-me não as "espalhar por toda a parte"
como diria o nosso Camões. :)
Por vbm | setembro 22, 2008 11:45 AM
em 22/09/2008 11:45
http://www.excitador.net/forum/viewtopic.php?t=3329&start=135
Esqueci-me. Um fórum
onde se finge
ler pouca
poesia.
lol
(E, aposto,
ninguém vai apôr
um comentário que seja.)
:)
Por vbm | setembro 22, 2008 11:51 AM
em 22/09/2008 11:51
obrigada... a divulgação é sempre bem vinda :)
Por ana r. | setembro 22, 2008 5:14 PM
em 22/09/2008 17:14