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Cor dos dias

Não pode haver nos olhos outra cor que
esta camuflada cor dos dias nunca uns
olhos suportam outra água que não
seja de um rio que se esgota outra
boca nascente não pode haver e assim

se prova um nome um sabor melancolia
não pode em caso algum surgir a
dúvida a dúvida acarreta o sofrimento
alonga a noite ataca a vida e tudo
tão escusado tanto excesso ao menos

que dos olhos se retirem as mãos
supostas súbitas muralhas contra a
cor nascida com o dia tão excessiva
a cor a dor esta melancolia que se
agacha no fundo de um olhar não

pode haver nos olhos outra venda ou
seu disfarce ou magro fingimento agora
que sabemos onde pomos este corpo de
outono consentido e destinado ao vento.

Nuno de Figueiredo

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 15 de outubro de 2008.

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