I Onde estavas floresce o teu mito. Aparelhas o rosto, o amplo e severo gesto da mão apanhando no ar o objecto incólume, com galhardia, sem ostentação. Rodeias-te dos punhais de aço cristalino, das automáticas granitadas e puras - um arsenal azul-aço e cobre corolando fogos-fátuos de gestos contidos - a esperança do ver e tactear o radiar do tempo. Vês como é fácil? Abre o leque aracnídeo dos telhados, adivinha a digitalidade destas colinas já ensombradas, decapita esta poalha cinza e ouro. Alongaste-te nos indivisíveis mistérios da rota, pelas baías mansas e coralinas afagadas de sol e panóplias de cristais, encobrindo espectros de cimitarra à cinta, turbantes, esmeraldas e arcas, arcabuzando a linha do horizonte com seus arremedos e gritos guturais nas enxárcias. Vês como é fácil escamotear a onírica verdade? Carlos Eurico da Costa