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Praia

(gentileza de Amélia Pais)

Feliz, quem sabe, o vento. Sem memória,
beijando-me nos lábios, ele abraça
o meu destino às cegas na paisagem.
É sempre nesse instante que regresso
à poalha do céu onde começa
talvez a maldição, talvez o encanto
de invocar-te em silêncio. Porque, eu sei,
entre palavras morre a cor dos sonhos,
o vão pressentimento de estar vivo.

Feliz talvez o vento e no entanto,
arrasta ainda areia e vagas vozes
na praia ao abandono. A luz da tarde
encobriu-se de névoa, só o mar
ficou perto de mim – agora é simples:
as ondas trazem novo o teu sorriso,
movem o seu abismo nos meus olhos,
mas lágrimas nenhumas vão salvar-me
o corpo, a alma, as cinzas, esta vida.

Fernando Pinto do Amaral

comentários (2)

vbm:

Recebeste o prémio Lemniscata.

Abraço,
Vasco

ana r.:

Caro vbm, que gentil! Obrigada :)

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 30 de junho de 2009.

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