(gentileza de Amélia Pais)
Teus passos, filhos do meu silêncio
Religiosamente, lentamente dispostos
Cerca do leito da minha vigilância
Procedem mudos e gelados.
Pessoa pura, sombra divina
Como eles são doces, os teus passos confinados!
Deuses !.....todos os dons que adivinho
Vêm a mim nestes pés nus!
Se, de teus lábios liberais
Tu te preparas para o apaziguar
Ao ocupante dos meus pensamentos
O alimento de um beijo,
Não precipites este acto terno,
Doçura de ser e de não ser,
Porque tenho vivido para te esperar
E meu coração não era senão os teus passos
Paul Válery, trad. Sonia Lanzillotte


comentários (2)
Julguei que tinha uma tradução
talvez mais interessante
e que iria mostrar-te
para comparares...
Mas, afinal, hélas,
só tenho o original do Valéry,
poeta e pensador que sempre
me impressionou, profundamente.
Edito-o, aqui.
É encantador, o poema
Tes pas, enfants de mon silence,
Saintement, lentement placés,
Vers le lit de ma vigilance
Procèdent muets et glacés,
Personne pure, ombre divine,
Qu’ils sont doux, tes pas retenus!
Dieux!… tous les dons que je devine
Viennent à moi sur ces pieds nus!
Si, de tes lèvres avancées,
Tu prépares pour l’apaiser,
A l’habitant de mes pensées
La nourriture d’un baiser,
Ne hâte pas cet acte tendre
Douceur d´être et de n’être pas,
Car j’ai vécu de vous attendre,
Et mon coeur n´etait que vos pas.
Por vbm | novembro 2, 2009 6:50 PM
em 02/11/2009 18:50
obrigada, vbm: o original nunca se compara a qualquer tradução... ou imitação ;)
Por ana r. | novembro 3, 2009 8:17 AM
em 03/11/2009 08:17