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Sem motivo

"O verdadeiro perigo vem dela própria. O que permitirá, até onde está disposta a ir. Mas permitir e estar disposta não têm nada que ver com a questão. Para onde será empurrada, então; para onde será conduzida. Não examinou os seus motivos. Pode não haver nenhum motivo propriamente dito; o desejo não é um motivo. Não lhe parece que tenha qualquer escolha. Um prazer tão extremo é também uma humilhação. É como ser puxada por uma corda vergonhosa, uma trela à volta do pescoço. Ela ressente-se disso, da sua falta de liberdade, portanto estica o tempo entre os encontros, racionando-os. (...)
Mas no fim volta sempre. Não vale a pena resistir. Procura-o em busca de amnésia, de esquecimento. Rende-se, é apagada; entra na escuridão do próprio corpo, esquece o seu nome. Imolação é o que ela quer, embora brevemente. Existir sem fronteiras."

Margaret Atwood, in O Assassino Cego, trad. Elsa T. S. Vieira

comentários (1)

MG:

Permitimo-nos pensar em nada, e vamos com a maré.
Por vezes chegamos a bom porto, outras, nem por isso.
Divagar é bom, quando não temos destino certo.
Agora, quando sei o que não quero. Evito-o.
Ou tento evitá-lo...

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Esta é uma página de arquivo individual, publicada em 20 de fevereiro de 2010.

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