A que nunca amei e me ama pensa em mim à noite
antes de dormir, e nos escombros do sono
vê o meu rosto suave, arrogante, de há muitos anos
e sente uma mão fria empunhar-lhe o coração.
É bela a que nunca amei e me ama, cada vez mais bela
com seus cabelos soltos ao sopro da memória,
com uma voz onde sonham luas que jamais iluminaram
um caminho que me levasse à que nunca amei e me ama.
É doce essa mulher que acorda e diz o meu nome
com unção. Seus olhos me fitam do longínquo
e doem em mim como dói nessa mulher que me ama
amar quem nunca a amou, disperso em seus enganos.
A que nunca amei e me ama acaricia a minha ausência
com pena de mim, que teria sido feliz, bem sabe,
se a tivesse amado; a ela, que me ama e nunca amei
e nunca hei de amar, como até hoje, amargamente.
Ruy Espinheira Filho


comentários (2)
... amar é presente, é passado e é futuro... amar é sempre... se se tem a coragem de arriscar, de viver... amarga é a antevisão do desamor...
lindo poema, afinal de amor por ela que ama e foi /é amada!
C.A.
Por Cecilia A. | março 5, 2011 9:28 AM
em 05/03/2011 09:28
Cila, o comentário que colocou é muito inspirado e inspirador... obrigada!
Por ana roque | março 5, 2011 3:52 PM
em 05/03/2011 15:52